Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Receita Federal criará delegacia para combater crime organizado

De acordo com o ministro, a criação de um órgão de estado deve fortalecer o combate a lavagem de dinheiro

25/09/2025 14:19, atualizado 25/09/2025 14:20
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Imagem colorida mostra o ministro da Fazenda Fernando Haddad - Merópoles

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (25/9) que a Receita Federal terá uma delegacia especializada no combate ao crime organizado. De acordo com ele, o pedido será encaminhado ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e a delegacia deverá ser instalada nas próximas semanas.

O ministro afirmou que a nova delegacia será muito útil para que o combate ao crime organizado seja estruturado independente de qual seja o governo no poder. “Ao institucionalizar, você impede retrocessos, quando se cria um órgão de estado para tal finalidade, fica mais difícil continuar com a prática”, disse ele em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, em Brasília.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Ele disse ainda que espera que as operações continuem acontecendo. “Tem muita coisa para fazer”, avaliou. Questionado se seria necessária a intervenção das forças armadas, o ministro afirmou que é o poder civil que deve se organizar para combater o crime organizado.

O ministro destacou que a Operação Spare, deflagrada na manhã desta quinta-feira, é um desdobramento da operação Carbono Oculto, realizada no final de agosto. De acordo com o ministro, a operação afetou cerca de 200 postos de gasolina, mais de 60 motéis e 14 empreendimentos imobiliário, ao todo foram as atividades criminosas  movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais – o equivalente a 0,1% do total movimentado.

De acordo com a Receita Federal, também foram identificadas administradoras de postos que movimentaram R$ 540 milhões no mesmo período.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

As informações da Receita apontam que forma identificados 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos relacionados a uma mesma franquia, todos em nome de alvos da operação. “Embora operacionais, essas empresas apresentavam indícios de lavagem de dinheiro. Entre 2020 e 2024, movimentaram cerca de R$ 1 bilhão, mas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais”, afirmou em nota.

Haddad avaliou que muitas empresas agem entre a legalidade e a ilegalidade, o que dificulta a identificação e fiscalização desses setores.

Operação Carbono Oculto

  • Uma megaoperação foi deflagrada, em 28 de agosto, contra um esquema criminoso no setor de combustíveis, que tem núcleos comandados por organizações criminosas e operadores da Faria Lima, principal centro financeiro e empresarial do Brasil.
  • Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 350 alvos (pessoas físicas e jurídicas) em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • Para lavar dinheiro, o grupo teria criado uma estrutura empresarial, infiltrada na cadeia produtiva de combustíveis e no mercado financeiro, por meio de fintechs e 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões.
  • Segundo a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou apenas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos.