Randolfe: governo não veta CPMI do Master, mas questiona viabilidade

Senador questiona a viabilidade de CPMI que mobilize o Congresso em ano eleitoral, mas diz que não há veto a “nenhum tipo de investigação”

atualizado

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Randolfe Rodrigues
1 de 1 Randolfe Rodrigues - Foto: Metrópoles

Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou, nesta quinta-feira (8/1), que o Planalto ainda não tem um posicionamento a respeito de uma eventual Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso da liquidação do Banco Master. O parlamentar questionou a viabilidade de uma CPMI que mobilize o Congresso em pleno ano eleitoral, mas assegurou o governo não tem veto a “nenhum tipo de investigação”.

“A posição do governo é que as investigações sigam e ocorram. A posição que temos é que o Banco Central tem que ser respeitado nas suas atribuições. A posição que temos é que esta operação ocorreu sob o governo do presidente Lula, com a Polícia Federal e com as instituições republicanas funcionando. Algo que eu acredito que não ocorreria em tempos passados”, disse Randolfe a jornalistas, durante a cerimônia no Palácio do Planalato sobre o 8 de Janeiro.

O senador, no entanto, ressaltou que o calendário eleitoral pode ser um obstáculo para uma CPMI. “Sobre CPI, vamos avaliar ainda. Tem uma circunstância aí, nós temos que ver o tempo de funcionamento de uma eventual CPI. Nós estamos em um ano que, por razões óbvias, a partir de agosto, o Congresso funciona só com uma sessão durante a semana, por conta do período eleitoral”, observou.

“Nós temos um período de julho, até o final do ano, envolvido com a campanha eleitoral. Então, não sei se há viabilidade pragmática do funcionamento do Congresso Nacional que possibilite a CPI, mas o governo não tem nenhum veto a qualquer tipo de investigação, seja qual for. Não há veto a nenhum tipo de investigação”, completou.

Randolfe fez questão de tentar capitalizar para o governo a operação contra o Master. Segundo ele, “é resultado concreto de uma Polícia Federal independente, republicana e autônoma atuando sob o governo do presidente Lula. Então a posição do governo é que as investigações aconteçam, custem o que custar, atinjam a quem tiver que atingir. Os responsáveis só estão sendo responsabilizados porque nós temos um governo democrático e republicano em vigência no Brasil. O que não ocorreria se o golpe que foi tentado há três anos, na data de hoje, tivesse se concretizado”.

No último dia de 2025, a oposição no Congresso Nacional coletou o número necessário de assinaturas no requerimento que pede a instalação da CPMI contra o Banco Master.

No total, 28 senadores e 177 deputados federais declararam apoio à iniciativa encabeçada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). Para ser instalada, porém, a comissão deve ser oficializada pelo presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Caso ganha força

O caso ganhou força entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a veiculação da suposta relação entre o Master, que foi liquidado pelo Banco Central acusado de fraudes, e escritório de advocacia da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“A instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) revela-se urgente, necessária e inadiável para apurar fatos determinados de extrema gravidade relacionados ao Banco Master, envolvendo indícios de fraudes financeiras de elevada sofisticação, prejuízos bilionários estimados em mais de R$ 12,2 bilhões, riscos concretos ao patrimônio público, potenciais impactos previdenciários e sociais, bem como eventual participação ou conivência de agentes públicos e autoridades de alta relevância institucional”, diz o requerimento.

Para ser levado ao plenário, o requerimento deve ser lido por Davi Alcolumbre em uma sessão conjunta. O requerimento sugere a composição de 30 membros, 15 senadores e 15 deputados, e uma duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada.

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