Racistas criam grupo para atacar militante: “Negras fedem a bicho”
A influenciadora digital Carol Inácio foi colocada em um grupo de WhatsApp com 129 pessoas e insultada com ofensas racistas
atualizado
Compartilhar notícia

A influenciadora digital e militante do movimento negro Carol Inácio, de 26 anos, denunciou à polícia ofensas racistas e ameaças que sofreu ao ser colocada em um grupo de WhatsApp criado para atacá-la.
Carol usa as redes sociais para defender causas ligadas ao feminismo, ao movimento negro e para se posicionar politicamente, já tendo sofrido ataques em outras ocasiões. Ela contou ao jornal O Globo que foi incluída, no último domingo (8/8), em um grupo de WhatsApp chamado “Realities – Red Pill Opressor”, que já contava com 129 participantes.
Logo que Carol teve o número inserido no fórum, começaram as ofensas racistas: “Assuma seu lugar de inferioridade total”; “Negras fedem a bicho”; “Mesma coisa que transar com animal”, entre outras frases enviadas por diferentes perfis.
A militante salvou as mensagens, registrou os números dos participantes e fez uma denúncia à Polícia Civil do Espírito Santo, estado onde vive. Nesta quarta-feira (11/8), ela informou em seu perfil do Instagram que o boletim de ocorrência foi validado. “Não vou desistir, não vou deixar fascistas destruírem minha família”, disse ela, que revelou ter apoio psicológico e ajuda de advogados.
“Estou fazendo acompanhamento psicológico e vai ficar tudo bem. Peço que não me deixem sozinha nessa, porque não é fácil fazer tudo sozinha”, disse a influencer. “Quero focar em resolver o problema e descobrir quem são os criminosos”, completou.
Veja um print que ela divulgou em sua conta no Instagram:

Ataques racistas
Dados do grupo
De acordo com Carol, o telefone do administrador do grupo racista era registrado em Massachusetts, nos Estados Unidos, apenas com o nome de Anderson.
O mesmo número havia adicionado Carol a um grupo anteriormente, em julho deste ano. Ela contou, também ao Globo, que esse outro grupo se chamava “Abaixo ao negrismo”.
“Eles postaram uma foto da minha tia tomando vacina com uma máscara escrito ‘Fora, Bolsonaro’. E isso foi assustador porque eles conhecem minha família e a gente acha que vai encontrar uma pessoa te esperando na porta de casa. Eu tirei print, saí, denunciei o grupo e fiz meu primeiro boletim de ocorrência”, contou ela.
Ver essa foto no Instagram
