“Querem me ver morto”, diz delegado Da Cunha após ser tirado das ruas

Estrela no Youtube, delegado foi afastado das operações e teve armas e distintivos recolhidos por ter chamado policiais de "ratos"

atualizado 31/07/2021 16:59

Delegado Da CunhaReprodução/Instagram

São Paulo – Em resposta à decisão da Polícia Civil paulista de tirá-lo das ruas, o delegado Da Cunha afirmou em vídeo no seu canal que há ciúme na corporação em relação ao sucesso de seus vídeos e que querem vê-lo morto.

Segundo ele, administrativamente, a situação já se esgotou e o passo seguinte seria fazer algo contra ele. “Todo mundo sabe que eu sou delegado da quebrada, que eu conheço o submundo, conheço os dois lados. Não tenho medo de ameaça”, disse.

Em seguida, emendou: “Vão enfiar algo no meu carro, vão tentar me matar? Pode vir, vai tomar bala”.

O delegado foi afastado das atividades externas e teve suas armas e distintivo confiscados em uma sindicância por ter chamado policiais de “rato”.

“Vou me defender dos processos, agora de uma hora para outra, dando uma canetada (…) porque eu falei que tinha rato roubando a administração pública, não sei se isso é tiro no pé, se a carapuça serviu.”

Ciúme

Na avaliação dele, a corporação tem tentado limitar seus vídeos, mas “ninguém nunca teve coragem de falar” e de orientá-lo.

Da Cunha afirma que, na época em que o canal tinha 300 mil seguidores, a polícia editou uma portaria para parar o YouTube, que foi cassada na Justiça. Hoje, são 3,4 milhões.

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O policial diz ainda que quando foi à corregedoria pela primeira vez, descobriu que já haviam seis processos administrativos contra ele. “Tudo pelas costas, coisa de traíra”, alega.

Mas diz que conversou e assegurou que ia ficar quieto. No entanto, argumenta que não consegue porque “não nasceu para ficar na sala”. Por isso, ele tirou férias da polícia.

Vida de estrela

O recolhimento de Da Cunha foi ordenado pelo Delegado Geral de Polícia, Ruy Ferraz Pontes, no último dia 23. De acordo com o documento de afastamento, obtido pelo UOL, o policial usou “linguagem inadequada e comentários depreciativos à imagem institucional”.

O delegado é dono do maior canal policial no Youtube. Seus vídeos narram operações policiais e oferecem instruções de defesa pessoal. Ao saber que havia sido punido, Da Cunha afirmou em um de seus vídeos que vai entrar na Justiça para reaver a posse das armas.

Em nota ao Metrópoles, a Secretaria de Segurança Pública informou que “as medidas adotadas durante a apuração são de caráter sigiloso” e que “detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial”.

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