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Brasil

Quase metade dos trabalhadores recebe salário baixo, diz pesquisa

Segundo o pesquisador Bruno Ottoni, 49,3% da população brasileira sofrem também com a falta de estabilidade e de uma rede de proteção

29/12/2021 09:05
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GettyImages
Carteira de Trabalho

De acordo com o índice criado pelo pesquisador Bruno Ottoni, da Consultoria IDados, 49,3% dos trabalhadores brasileiros recebem um salário baixo por jornadas longas e carecem de estabilidade e de uma rede de proteção social. Esse é o maior nível registrado pelo índice.

O pesquisador usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), de 2016 até o terceiro trimestre de 2021, observando que existiam 45,8 milhões de trabalhadores nessas condições. O percentual é maior do que o registrado em 2019, antes da pandemia, que teve o máximo de 44,3 milhões. As informações foram publicadas pelo portal O Globo.

“No início do ano que vem, época em que o mercado de trabalho sazonalmente tem desempenho fraco, certamente vamos estourar o patamar de 50%”, prevê Ottoni.

Segundo dados divulgados pelo IBGE na terça-feira (28/12),  a renda média real do trabalhador caiu em 11% no trimestre passado em comparação ao mesmo período de 2020, atingindo o nível mais baixo desde 2012. Esse rendimento é utilizado no indicador de Ottoni, e apontou que o salário de 89% desses trabalhadores é insuficiente para comprar seis cestas básicas por mês.

“Mesmo para quem tem emprego formal, o rendimento é baixo. Na subocupação (quem não consegue trabalho a jornada inteira) ganha-se pouco, e ela vem se mantendo em patamares elevados “, diz.

Integra o cálculo do pesquisador, além da renda, quem não contribui para a Previdência, quem não tem carteira assinada, os que trabalham mais de 48 horas por semana, os trabalhadores autônomos que não possuem ensino superior e os que estão empregados há pouco tempo.

“São analisadas quatro dimensões do emprego: salário, condições de trabalho, estabilidade e seguridade para qualificar a ocupação”, explica.

Quando o índice foi aplicado por raça, ele identificou que 53,8% dos negros ocupam vagas precárias.

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