PSL é partido que mais doa para candidatos de outras siglas
A agremiação tem a segunda maior fatia do fundo eleitoral, mas poucos candidatos competitivos nas principais cidades
atualizado
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As coligações partidárias nas eleições se apoiam política e financeiramente. O candidato pode receber recursos da própria sigla mas também dos partidos com os quais se associou. No pleito deste ano, o PSL teve a maior doação líquida, e o PSDB fechou com o maior saldo positivo. As informações são do repositório de dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elas foram analisadas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles.
O gráfico a seguir mostra o saldo de cada partido. O valor é calculado a partir da subtração do que foi doado com o total recebido. Assim, as taxas negativas significam que a agremiação deu mais dinheiro para campanhas de outros partidos do que seus candidatos receberam de outras siglas.
O caso do PSL chama a atenção. O partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se elegeu presidente é o segundo que mais recebe recursos do fundo eleitoral: são R$ 199,4 milhões. Apenas o PT recebeu mais, com R$ 201,3 milhões. Apesar disso, a sigla é a 12ª em quantidade de candidatos a prefeitos.
“Com essa estratégia, o PSL vira sócio de candidaturas mais competitivas e depois isso se reverte em espaço de poder. Ele gasta menos dinheiro para obter nacos dessas prefeituras do que em uma candidatura própria com poucas chances de vitória”, explicou o doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto.
O caminho escolhido pelo partido é eficiente, pois a sigla não tem quadro próprio com chance de vencer a disputa nas principais cidades do país. “O PSL se fortaleceu quando Bolsonaro se filiou ao partido e, com a saída do presidente, a sigla enfraqueceu”, analisou Barreto.
Questionado pelo Metrópoles, o PSL respondeu em nota: “Estabelecemos coligações políticas por acreditar na força da democracia, estimulando candidaturas consideradas estratégicas e sempre respeitando as realidades políticas locais”.
Na ponta oposta do ranking – dos partidos políticos que receberam mais recursos do que repassaram para candidatos de outras siglas –, estão o PSDB, o DEM e o MDB. Nos três casos, os partidos têm candidatos competitivos que se coligam bastante para poderem receber repasses de outros grupos.
O gráfico a seguir mostra quanto cada partido recebeu e doou para cada sigla:

