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Eleições 2026Brasil

Proibido de falar com Bolsonaro, Flávio busca comandar a campanha

Com restrição até depois do primeiro turno, senador precisará definir vice, organizar palanques estaduais e planejar viagens sem o pai

Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova
Flavio Bolsonaro participa do debate com os candidatos a presidente do Brasil para a eleição de 2026 no evento da Confederação Nacional da Indústria CNI metropoles 1

Proibido de conversar diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá de assumir o comando da própria campanha e fechar os palanques estaduais do Partido Liberal pelo Brasil.

Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador está proibido de visitar Bolsonaro por 90 dias — período que vai até 11 de outubro, uma semana depois do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Sem poder consultar diretamente a principal liderança do bolsonarismo, Flávio terá de conduzir escolhas que devem definir o formato da campanha. Entre elas estão a indicação do candidato a vice-presidente, a montagem dos palanques estaduais, a estratégia de viagens pelo país e a tentativa de recompor a relação com Michelle Bolsonaro.

A definição da vice ocorrerá justamente durante o período de afastamento — já que o PL pretende lançar a candidatura de Flávio no dia 25 de julho.

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Flávio Bolsonaro terá de conduzir decisões centrais da campanha sem contato direto com o pai
Daniella Marques, coordenadora econômica da pré-campanha, é cotada para ocupar a vice
Michelle Bolsonaro se afastou de atividades da pré-campanha após o conflito com Flávio
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Michelle Bolsonaro se afastou de atividades da pré-campanha após o conflito com Flávio

Igo Estrela/Metrópoles - @igoestrela
Flávio Bolsonaro terá de conduzir decisões centrais da campanha sem contato direto com o pai
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Flávio Bolsonaro terá de conduzir decisões centrais da campanha sem contato direto com o pai

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Daniella Marques, coordenadora econômica da pré-campanha, é cotada para ocupar a vice
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Daniella Marques, coordenadora econômica da pré-campanha, é cotada para ocupar a vice

Gustavo Moreno/Metrópoles

Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro

  • No dia 11 de julho, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai.
  • Na carta, o ex-presidente reafirma o apoio ao filho mais velho e diz que Flávio é o “porta-voz” dele.
  • “Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, diz trecho.
  • Em 13 de julho, Moraes suspendeu as visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias e deu 48 horas para que a defesa explique a divulgação da carta.
  • Na decisão, Moraes lembra que, ao conceder prisão domiciliar temporária para Bolsonaro, determinou a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.
  • Em resposta ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente “jamais soube” que carta seria publicada.

Busca por uma vice-presidente

Na quinta-feira (16/7), Flávio Bolsonaro fez uma transmissão nas redes sociais para lançar o programa Brasil por Elas, que contou com a participação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da pré-campanha e um dos nomes cotados para ser vice.

A participação de Daniella na live reforçou o espaço ocupado por ela na pré-campanha. Além de coordenar o Brasil por Elas, a ex-presidente da Caixa está entre as mulheres avaliadas para compor a chapa. Flávio tem declarado preferência por uma mulher no posto.

A transmissão foi inteiramente conduzida ao lado de Daniella, que falou sobre políticas para mulheres e associou as propostas ao legado econômico do governo Bolsonaro.

Segundo eles, o Brasil por Elas reúne medidas nas áreas de segurança, combate à violência doméstica, mercado de trabalho, acesso ao crédito, empreendedorismo, economia do cuidado, saúde da mulher e apoio às famílias atípicas.

Mas Daniella Marques não é a única cotada para o posto. Entre os nomes mais citados nos bastidores, está o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), defendida publicamente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e já classificada pelo próprio Flávio como um “sonho de consumo” para a vaga.

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também é um dos nomes cotados, apoiada principalmente pela base mais identitária do bolsonarismo, como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Corrida para fechar palanques

Às vésperas do início do prazo para a convenção partidária, Flávio enfrenta impasses para montar os palanques eleitorais em Minas, Amapá, Pernambuco, Alagoas e Maranhão.

Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, a principal possibilidade ventilada é a candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O político, no entanto, vem frequentemente adiando a decisão sobre concorrer ao governo de Minas Gerais, o que tem pressionado o PL a buscar outras opções.

Em Pernambuco, Alagoas, Maranhão e Amapá a situação segue incerta, e aliados de Flávio já acreditam que ele ficará sem palanque.

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Flávio sob pressão

O PL marcou a convenção nacional para 25 de julho. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas, e a campanha começa oficialmente no dia seguinte.

Além da impossibilidade de conversar com o pai, Flávio também precisa administrar o desgaste provocado pelo conflito com a madrasta, Michelle Bolsonaro.

A ex-primeira-dama afirmou ter sido “humilhada” e “desrespeitada” pelo enteado e se afastou de atividades da pré-campanha. Publicamente, o senador tentou reduzir a dimensão do episódio, tratou a divergência como superada e fez gestos de aproximação, mas o embate passou a ser considerado um problema eleitoral por aliados.

Pesquisa Genial/Quaest mostrou que 42% dos entrevistados concordam mais com Michelle no desentendimento, enquanto 18% ficam mais próximos da posição de Flávio.

Outros 45% consideraram correta a decisão da ex-primeira-dama de publicar os vídeos em que expôs a briga familiar.

Aliados do senador disseram reservadamente que Flávio ainda não conseguiu ir além da própria base bolsonarista e alcançar eleitores de centro-direita e de centro.

A escolha da vice, a tentativa de recompor a relação com Michelle e a condução da campanha sem contato com Bolsonaro serão, então, os primeiros testes de sua capacidade de assumir sozinho o comando político da candidatura.