Professores e alunos são intimados pela PF após “atos antifascistas”

Polícia Federal intimou 4 professores e 5 estudantes, segundo universidade do Ceará. Eles são acusados de perseguição ideológica

atualizado 10/06/2021 20:18

Quatro professores e cinco estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) foram intimados, nesta quinta-feira (10/6), a comparecer à Polícia Federal (PF) para prestar, segundo a instituição de ensino, esclarecimentos sobre ação que apura “atos antifascistas”, “organização de polícia ideológica” e “perseguição [a grupos] por serem cristãos, bolsonaristas e não quererem declarar voto no candidato do Partido dos Trabalhadores”.

Segundo a universidade, a ação teve início em 2018, e o Ministério Público Federal (MPF) afirmou não existir viabilidade na acusação. O inquérito, no entanto, ainda não foi arquivado.

Entre os professores que foram intimados está Francisco Luciano Teixeira Filho. Ele publicou o mandado da PF em uma rede social. “Então, vi agora o inquérito. Exatamente isso: uma aula pública sobre fascismo, quem colocou antifa na foto do perfil do Facebook e uma pichação no banheiro são as provas de um ‘organização de polícia ideológica antifascista’. Eu tenho que dar mais aula!”, escreveu o docente.

A Polícia Federal foi procurada às 12h51 desta quinta-feira, mas não se manifestou até o fim da tarde. O espaço segue aberto.

Em comunicado à imprensa, a Uece manifestou “incondicional apoio institucional aos professores e aos estudantes que estão sendo alvo dessa intimação que fere a liberdade de expressão e de ‘aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber’ (Constituição Federal, Art. 206)”.

A universidade ressaltou também que os professores intimados, em momento algum, perseguiram alunos por terem posicionamentos divergentes. “Na verdade, discussões e posicionamentos diversos são os pilares da academia.”

“Em tempos de obscurantismo e de retrocessos, comprometemo-nos, obviamente, com a verdade dos fatos e reiteramos nosso compromisso com a democracia, com a autonomia universitária – a nós garantida pela Constituição Federal – e com o Estado Democrático de Direito, além de apoiarmos incondicionalmente os membros de nossa comunidade acadêmica nessa luta. Iluminando caminhos, seguimos firmes em defesa da democracia”, prosseguiu.

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