Professora que mentiu em currículo: “A gente se empolga e fala demais”

Em 2014, Joana D'arc foi condenada pela Justiça a devolver R$ 369 mil por uma pesquisa que ela não comprovou ter feito

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atualizado 17/05/2019 17:22

A professora de ensino técnico Joana D’Arc Felix de Sousa admitiu que não foi aluna da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, nem concluiu seu pós-doutorado na instituição, como vinha repetindo há alguns anos. Ela apresentou um diploma falso para provar o pós-doutoramento. Em entrevistas, a docente classificou o incidente como “uma falha”, mas negou que tenha agido de má-fé.

“A gente se empolga e acaba falando demais. É uma falha, peço desculpas, é uma falha”, disse Joana D’arc ao jornal Folha de S.Paulo. Em nota, a professora afirmou que “tudo o que foi publicado já está sendo apurado por um advogado ligado ao movimento negro brasileiro”. E continuou: “Porque tenho certeza que ainda estão achando que os negros (as) ainda têm que viver na senzala”.

Outro impasse
A professora, que fraudou o currículo ao incluir um pós-doutorado em uma das mais prestigiadas universidades do mundo, foi condenada pela Justiça em 2014 a devolver R$ 369,2 mil para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por uma pesquisa que ela não comprovou ter feito.

Beneficiada, Joana D’Arc recebeu um financiamento de R$ 278.166,19 para um projeto em que dizia ser possível reaproveitar, através de manipulação química, resíduos de couro como corantes, mistura de óleos de engraxe e cromo.

A Fapesp entrou em 2012 com ação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) contra Joana, alegando que ela não informou o que foi feito com o dinheiro. “Não se apresentaram contas para parte de tal valor e para outro, as que se prestaram, foram tidas como irregulares”, diz a ação.

Entenda
O diploma da docente foi submetido à Harvard e a instituição confirmou que não emite esse tipo de documento. O professor emérito de Harvard Richard Holm, cujo nome está no documento enviado por Joana, também confirmou que a assinatura não é dele e que nunca ouviu falar da brasileira.

A biografia de Joana estava prevista para virar filme, em produção anunciada pela Globo Filmes no mês passado. Ela ganhou notoriedade por uma história de superação: nasceu numa família muito pobre e teria chegado à universidade mais conceituada do mundo.

A atriz Taís Araújo faria o papel da docente, mas desistiu, alegando ser clara demais para interpretá-la, e ressaltou que continuava participando da produção. (Com informações da Agência Estado)

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