Prefeitura do Rio renova parceria com Cacique Cobra Coral por 25 anos
Cooperação técnica sem custos é a mais longa já registrada no Rio, Fundação prevê assistência meteorológica por intervenção espiritual

A Prefeitura do Rio de Janeiro voltou a firmar uma parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade que garante conseguir atuar sobre fenômenos climáticos por meio de intervenções espirituais. O novo acordo, assinado pela Fundação Instituto de Geotécnica do Município (Geo-Rio), terá duração de 25 anos, com validade até 2051.
O termo de cooperação foi publicado no Diário Oficial do município e prevê o intercâmbio de informações entre a Geo-Rio e a fundação para a chamada assistência técnica meteorológica. Segundo o documento, a parceria não envolve repasse de recursos públicos ou qualquer custo financeiro direto para a prefeitura.
O novo acordo é considerado o mais longo já registrado pela administração municipal do Rio.

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Ver todasA retomada ocorre poucos dias depois de a própria Fundação Cacique Cobra Coral ter informado que o convênio anterior com a administração municipal não havia sido renovado. A mudança aconteceu em uma semana marcada por alertas de fortes ventos no estado do Rio, com previsão de rajadas que poderiam superar 90 km/h em algumas regiões.
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De acordo com as informações divulgadas sobre o termo, a fundação não substitui os órgãos oficiais responsáveis pelo monitoramento climático e pela emissão de alertas. A entidade afirma que sua atuação ocorre a partir de informações produzidas pelos sistemas meteorológicos e de defesa civil.
O acordo também prevê o compartilhamento de dados e relatórios relacionados a medidas de prevenção e mitigação de impactos provocados por eventos climáticos. Entre as informações mencionadas estão ações como obras viárias e limpeza de córregos, consideradas relevantes para a prevenção de problemas durante períodos de chuvas intensas.
A renovação da parceria reacende, porém, o debate sobre a presença de práticas espirituais em acordos firmados pelo poder público. Embora não haja previsão de pagamento à entidade, a iniciativa chama atenção pela duração excepcional do contrato e pelas controvérsias envolvendo a alegada capacidade de interferência sobre o clima.
Em uma cidade historicamente afetada por enchentes, deslizamentos, ressacas e tempestades, a discussão também coloca em evidência a importância dos mecanismos científicos de previsão, monitoramento e prevenção de desastres.
Com validade até 2051, o novo acordo se torna o mais longo já firmado entre a administração municipal e a Fundação Cacique Cobra Coral, prolongando uma relação institucional que atravessa diferentes governos do Rio de Janeiro.
Parceria atravessa gestões
A relação entre a fundação e o poder público carioca não é recente. A entidade mantém parcerias com administrações municipais há décadas e já esteve associada a períodos de grandes eventos realizados na cidade, como Carnaval, Réveillon e competições esportivas.
A Fundação Cacique Cobra Coral foi criada em 1931, em Guarulhos (SP), pelo médium Ângelo Scritori. Atualmente, a instituição é comandada por Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral.
Segundo a própria organização, essa entidade espiritual teria também se manifestado em outras figuras históricas, como o cientista italiano Galileu Galilei e o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln.
A fundação sustenta que sua atuação pode contribuir para reduzir os efeitos de fenômenos climáticos extremos. Essa alegação, entretanto, não possui comprovação científica. A meteorologia oficial utiliza ferramentas como satélites, radares, estações meteorológicas e modelos matemáticos para monitorar e prever as condições atmosféricas.



