Preço médio dos carros mais vendidos no Brasil triplica em 10 anos
O mais barato em 2011 custava R$ 24,7 mil. Hoje, a média é de incríveis R$ 96.528. E há usados sendo negociados por até 33% acima da Fipe
atualizado
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Há uma década, Dilma Rousseff se tornava a primeira mulher a tomar posse como presidente (ou presidenta) do Brasil e o ano de 2011 começava com uma tragédia na região serrana do Rio, matando 900 pessoas e deixando inúmeros desabrigados. No mercado automobilístico, o carro mais barato do país era um Chevrolet Celta, com valor médio de R$ 24,7 mil. O Volkswagen Voyage era muito caro: custava R$ 39,5 mil, em geral. Segundo estudo da KBB Brasil, empresa especializada em pesquisa de preços de veículos novos e usados, o preço dos 10 carros mais vendidos da época girava em torno de R$ 33,3 mil.
Agora, em 2021, apenas o Volkswagen Gol aparece nas duas listas. E os preços? O valor médio desses dez carros é 189,6% maior do que o de há uma década. Dos modelos mais vendidos (ranking da Fenabrave) em 2011, todos da primeira à décima posição pertenciam às categorias compactas de entrada (hatch ou sedã).
Hoje, até o décimo colocado, quatro modelos são SUVs. E o carro com o preço médio mais barato do Top 10 é o Renault Kwid, com R$ 49.335. Já o mais caro é o Jeep Compass, por R$ 187.190. Com isso, o preço médio dos dez mais vendidos de 2021 é praticamente três vezes maior do que o dos de 2011 (incríveis R$ 96.528).

O trabalho da KBB evidencia o quanto o perfil dos carros mais vendidos do país mudou em comparação com dez anos atrás. Naquela época, o mercado brasileiro acumulava quase 3,5 milhões de unidades 0km licenciadas ao ano – e os veículos mais vendidos eram considerados, todos, populares. Hoje, apenas dois modelos poderiam se enquadrar nesta categoria (e com ressalvas quanto à real acessibilidade devido ao preço médio mais elevado).
| Mais vendidos em 2011 |
Preço médio 0km KBB (ago/2011) | Mais vendidos em 2021 |
Preço médio 0km KBB (ago/2021) |
| 1. VW Gol | R$ 34.098 | 1. Fiat Argo | R$ 79.677 |
| 2. Fiat Uno | R$ 31.543 | 2. Hyundai HB20 | R$ 78.447 |
| 3. Chevrolet Celta | R$ 24.735 | 3. Fiat Mobi | R$ 53.472 |
| 4. VW Fox | R$ 39.257 | 4, Jeep Renegade | R$ 146.000 |
| 5. Fiat Palio | R$ 33.260 | 5, Jeep Compass | R$ 187.190 |
E o Brasil volta a praticar, digamos assim, outras estranhezas. O mercado de seminovos e usados está tão aquecido que alguns modelos estão custando mais caro do que um 0km. Na InstaCarro, plataforma que auxilia a venda de veículos usados de forma simples, há modelos valorizados em até 33%. “A relação entre a venda de usados e novos está no ponto mais alto de toda a série histórica realizada desde 2004 pelo Bradesco. Para cada automóvel zero vendido no ano, foram comercializados 6,5 usados”, conta o CEO da InstaCarro, Luca Cafici.
Em setembro, a plataforma, que apura mensalmente as maiores valorizações em relação à tabela Fipe dos veículos negociados por ela, identificou o Hyundai Tucson 2018 com uma valorização de 33,5%, despontando como primeiro lugar em um ranking de dez. O Chevrolet Tracker 2021 valorizou 12,88%, ocupando a segunda colocação, seguido do Mitsubish L200 Triton 2018, com 10,3%.
De fato, o comércio de carros usados teve um surto neste ano – e alguns até ocuparam o espaço de 0km que desapareceram das concessionárias por falta de chips e semicondutores variados, por exemplo.
E aí vale lembrar do Plano Cruzado (no fim dos anos 1980) em que carro usado era mais procurado do que novo. Agora, há modelos valorizando 20% em um ano – quando a lógica seria ele perder 20% do valor de face.
Carro novo? Nos últimos meses, fechando os 12 anteriores para comparação, os 0km subiram até 10% – curiosamente, a inflação-legado que deveremos ter no fim deste ano.
