Prata de Pirenópolis recebe indicação de procedência geográfica

Instituto Nacional da Propriedade Industrial reconheceu a notoriedade da região goiana na fabricação de joias artesanais em prata

JP Rodrigues/ Especial para MetropolesJP Rodrigues/ Especial para Metropoles

atualizado 11/07/2019 0:34

A cidade histórica de Pirenópolis (GO), a 150 km de Brasília, atrai visitantes por vários motivos. Cachoeiras a perder de vista, arquitetura colonial, boa gastronomia e atrações culturais fazem de Pirenópolis um dos destinos mais visitados do Brasil. Não bastasse tudo isso, a cidade ainda é conhecida como a capital da prata por suas belas joias artesanais. Nessa terça-feira (9/7), a fama foi oficializada a partir da concessão da indicação geográfica pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

As joias artesanais em prata produzidas em Pirenópolis são as mais novas indicações geográficas brasileiras na na modalidade de Indicação de Procedência, que reconhece e protege um território notório pela fabricação, produção ou extração de um determinado bem ou serviço. Com ela, o país passa a ter 64 registros de indicação geográficas nacionais – 53 indicações de procedência e 11 denominações de origem, que é quando as características do meio geográfico conferem propriedades específicas a um produto. Além das nacionais, o Brasil reconhece nove denominações de origem de bens de outros países, como o Champagne, da França. Esta é a segunda IG de Goiás, que também tem protegido o açafrão de Mara Rosa.

Legado dos anos 1970

A relação da cidade com a produção de joias em prata começou nos anos 1970, com a chegada de jovens de todo o país que fundaram a comunidade hippie Terra Nostra, que aprenderam o ofício em viagens a países de grande tradição na extração e fabricação de joias em prata, e o ensinaram a moradores da cidade.

Ao contrário do que se pode pensar, a região de Pirenópolis não tem minas de extração de prata. Marisa Pacheco, diretora da Associação Cultural e Ecológica dos Artesãos em Prata de Pirenópolis (Aceapp), conta que toda a matéria-prima usada na região vem de reciclagem da prata retirada de placas de computador, sucata eletrônica e equipamentos hospitalares, por exemplo. “Nossas peças, além de terem desenho e técnicas de fabricação específicas da nossa região, são sustentáveis”, explica.

Hoje, há cerca de 100 artesão e 8 lojas dedicadas à joalheira artesanal na cidade, número significativo para um município de apenas 20 mil habitantes. A Aceapp conta com 25 associados. A expectativa de Marisa é que a indicação geográfica ajude a dar maior visibilidade ao trabalho e também garantias de autenticidade para o consumidor. “Cada vez mais, as pessoas querem consumir algo com uma história própria. Somos simples, mas sofisticados”, arremata.

*Com informações da Assessoria de Comunicação CNI

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