Autodeclaração racial: população branca recua e preta avança, diz IBGE

Segundo IBGE, quase metade da população se declara parda. Número de brancos recuou, enquanto o de pretos registrou aumento

atualizado

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População tem se declarado mais preta e menos branca, diz IBGE
1 de 1 População tem se declarado mais preta e menos branca, diz IBGE - Foto: Divulgação/IBGE

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17/4), mostram uma reconfiguração na composição racial do Brasil ao longo da última década, com redução da população que se declara branca e avanço da população preta.

Enquanto a população parda se manteve estável entre as pesquisas de 2012 e 2025, com oscilação de 45,5% para 45,8%, a participação de pessoas que se autodeclaravam brancas caiu de 46,4% para 42,6%, um recuo de 3,8 pontos percentuais.

No sentido oposto, cresceu a parcela da população que se identifica como preta, passando de 7,4% para 10,4% no mesmo período.

Confira os números:

Mais do que uma simples mudança demográfica, o movimento reflete transformações sociais mais amplas, que passam pelo fortalecimento do debate racial no país e pelo aumento da identificação com a própria cor ou raça, segundo o William Araújo, que é responsável pela pesquisa.

Apesar disso, as diferenças regionais continuam marcantes. O Nordeste concentra a maior proporção de pessoas que se declaram pretas (12,9%), seguido pelo Sudeste (11,3%).

Já no Sul, esse percentual é bem menor, de 5%. No entanto, a população parda predomina no Norte (69,4%), Nordeste (60,7%) e Centro-Oeste (52,1%). Por outro lado, o Sul segue como a região mais branca do país, com 72,3% da população nessa categoria.

Em todas as regiões, no entanto, houve queda na participação da população branca entre 2012 e 2025, com destaque para o Sul, onde a redução foi de 6,5 pontos percentuais.

No Nordeste, por sua vez, foi registrada a maior expansão da população preta, enquanto no Sul cresceu a participação de pessoas que se declaram pardas.


Pesquisa mostra detalhes sobre a população do Brasil

  • A Pnad características Gerais dos Domicílios e Moradores aborda informações relativas aos moradores e aos imóveis.
  • Em relação aos moradores, o IBGE observa, por exemplo: população residente, sexo, idade, cor ou raça, condição no domicílio.
  • A respeito dos imóveis são pesquisados os pontos como: tipo de condição de ocupação; material predominante nas paredes, piso e telhado; serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens.
  • Para os resultados, foram consolidados dados de aproximadamente 168 mil domicílios.

País envelhece e reduz base jovem da população

Além das mudanças na autodeclaração racial, os dados do IBGE reforçam uma tendência: o envelhecimento da população brasileira. Em pouco mais de uma década, o país passou a ter menos jovens e mais adultos e idosos na composição total.

Em 2012, quase metade dos brasileiros (49,9%) tinha menos de 30 anos. Em 2025, esse percentual caiu para 41,4%. A redução foi puxada principalmente pelas faixas mais jovens, crianças de 5 a 13 anos passaram de 14,6% para 12,2% da população, enquanto adolescentes de 14 a 17 anos caíram de 7,1% para 5,5%.

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No total, a população com menos de 30 anos encolheu não só proporcionalmente, mas também em números absolutos, passou de 98,2 milhões para 88 milhões de pessoas, uma queda de 10,4% no período.

Na outra ponta, a população com 30 anos ou mais cresceu e passou a representar 58,6% dos brasileiros em 2025, ante 50,1% em 2012. O grupo de idosos também avançou de forma expressiva: pessoas com 60 anos ou mais saltaram de 11,3% para 16,6% da população, com destaque para aqueles com 65 anos ou mais, que já somam 11,6%.

O perfil demográfico também revela uma leve maioria feminina no país. Em 2025, as mulheres representam 51,2% da população, frente a 48,8% de homens.

Isso se reflete na chamada razão de sexo, há cerca de 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil, proporção que diminui ainda mais entre os mais velhos, em razão da maior mortalidade masculina.

“Talvez a mortalidade entre homens mais jovens tenha diminuído, fazendo com que tenha uma equivalência no número de homens e mulheres na pirâmide, diferente dos anos anteriores”, explicou o pesquisador William Araújo.

A distribuição etária reforça o desenho de uma população que envelhece, a base da pirâmide etária está mais estreita, enquanto o topo, formado pelos mais velhos, se amplia. Esse movimento aparece tanto entre homens quanto entre mulheres, embora elas sejam maioria nas faixas etárias mais avançadas.

Regionalmente, o Norte ainda concentra a população mais jovem do país, com 41,5% dos habitantes tendo menos de 24 anos. Já Sudeste e Sul apresentam perfis mais envelhecidos, com menores proporções de jovens e maior presença de idosos, que já representam 18,1% da população nessas regiões.

O retrato que emerge dos dados é o de um Brasil em transição, aponta o gerente da pesquisa, ao mesmo tempo em que a forma de autodeclaração racial evolui, a estrutura etária se desloca rapidamente, trazendo impactos diretos para políticas públicas, mercado de trabalho e sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.

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