Texto de discurso cita militares, mas Bolsonaro omite durante fala ao vivo

Texto divulgado diz que presidente “respeita a Constituição e seus militares”, mas no discurso ao vivo apenas Constituição foi citada

atualizado 21/09/2021 12:53

Timothy A. Clary-Pool/Getty Images

O discurso ao vivo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na abertura da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e a íntegra do texto disponibilizada no site do Palácio do Planalto possuem uma divergência: a citação aos militares.

No texto divulgado pelo Planalto, consta: “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo”.

No discurso ao vivo, porém, o chefe do Executivo federal citou apenas a Constituição: “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição, valoriza a família e deve lealdade ao seu povo”.

Na sequência, o mandatário brasileiro disse que isso é muito e afirmou que, anteriormente a seu mandato, o país estava “à beira do socialismo”.

Bolsonaro foi o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da Assembleia da ONU, que reúne mais de 100 líderes na sede da organização, em Nova York. Tradicionalmente, cabe ao presidente do Brasil abrir a lista de oradores da conferência.

Havia forte expectativa em torno do discurso do presidente brasileiro. Com pressão internacional em razão do aumento das queimadas e dos desmatamentos na Amazônia, esperava-se um aceno do líder brasileiro à proteção ambiental.

Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais na última quinta-feira (16/9), Bolsonaro já havia adiantado que faria críticas a eventual derrubada do marco temporal na demarcação de terras indígenas no país.

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o tema desde o dia 26 de agosto. Segundo a tese do marco temporal, índios só podem reivindicar a demarcação de terras já ocupadas por eles antes da data de promulgação da Constituição de 1988.

Esta é a terceira participação de Bolsonaro na sessão da ONU, e a segunda ocasião em modalidade presencial. Em 2019, o presidente afirmou que o Brasil tinha “compromisso solene” com a preservação ambiental e defendeu a soberania na Amazônia.

No ano passado, a reunião foi virtual, em razão da pandemia de Covid-19. Bolsonaro disse, em discurso previamente gravado, que o Brasil era “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.

Contrariando boa parte dos chefes de Estado, Bolsonaro compareceu à ONU sem estar vacinado contra a Covid-19. De acordo com um levantamento feito pelo Metrópoles, dos 193 países que integram a ONU, 133 têm os seus chefes de Estado imunizados contra a doença que já vitimou quase 230 milhões de pessoas em todo o mundo. O presidente brasileiro é também o único líder do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, não vacinado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a conferência defendendo um plano de vacinação global contra a Covid-19 e ressaltou que a maioria do continente africano segue sem vacinas para imunizar a população.

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Agendas em Nova York

Na chegada de Bolsonaro ao Hotel Intercontinental Barclay, na noite de domingo (19/9), um pequeno grupo de manifestantes contrários ao presidente exibiu faixas pedindo “Fora Bolsonaro” e “Fora militares”. Com os atos, Bolsonaro entrou no local pela porta dos fundos. Em 2019, havia pessoas protestando a favor e contra o presidente no mesmo hotel, onde ele também ficou hospedado.

Na segunda-feira (20/9), o presidente voltou a ser alvo de protestos, mas minimizou os atos e chamou os manifestantes de “acéfalos”.

Nos dois dias que passou nos Estados Unidos, Bolsonaro teve duas reuniões bilaterais: uma na segunda-feira (20/9) com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e uma nesta terça com o presidente da Polônia, Andrzej Duda. Ele também teve um encontro de praxe com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres.

Não estão previstas outras reuniões bilaterais, mas há expectativa de um breve encontro com o presidente dos EUA, Joe Biden, nos corredores do evento. O líder americano discursa logo na sequência de Bolsonaro.

Além de ministros de Estado, também formam a comitiva familiares do chefe do Executivo federal, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e a primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro. O retorno do grupo para Brasília está previsto para a noite desta terça-feira.

Veja a relação completa:

  • Carlos Alberto França, ministro das Relações Exteriores;
  • Marcelo Queiroga, ministro da Saúde;
  • Anderson Torres, ministro da Justiça e Segurança Pública;
  • Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente;
  • Gilson Machado, ministro do Turismo;
  • Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência;
  • Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
  • Eduardo Bolsonaro, deputado federal;
  • Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência;
  • Nestor Forster, embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América;
  • Ronaldo Costa Filho, representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas;
  • Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal;
  • Michelle Bolsonaro, primeira-dama;
  • Rodrigo de Bittencourt Mudrovitsch, convidado especial;
  • Paulo Angelo Liégio Matao, intérprete;
  • Claudia Chauvet, intérprete; e
  • Rachel Alves Bezerra, intérprete.

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