“Tem de meter a faca no Sistema S”, afirma Paulo Guedes

Para futuro ministro da Economia, ainda há empresários esperando pelo protecionistas do governo, assim como acontece com sindicalistas

atualizado 17/12/2018 18:45

Bruna Prado/Agência Brasil

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (17/12), em encontro na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que é preciso “meter a faca no Sistema S também”.

“Estão achando que a CUT [Central Única dos Trabalhadores] perde o sindicato, mas aqui fica tudo igual? Como vamos pedir sacrifício para os outros e não contribuir com o nosso?”, afirmou Guedes, a uma plateia de industriais. Ele acrescentou que os empresários parceiros sofrerão menos cortes que os demais.

Ao iniciar sua palestra, o futuro ministro da Economia disse ainda haver empresários esperando pelo protecionistas do governo, assim como acontece com sindicalistas. Em sua opinião, “o Brasil é um país rico, virou o paraíso de burocratas, de piratas privados, em vez de ser o país do crescimento econômico”.

Porém, admitiu Guedes, alguns empresários e políticos – como o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, e o governador eleito do Rio, Wilson Witzel (PSC) – têm uma visão de aliança com o governo federal. “É o pacto federativo, o novo eixo de governabilidade. Acabou o toma lá, dá cá”, elogiou Paulo Guedes.

Mais cedo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade, elogiou o novo governo e afirmou que a indústria será “parceira” sempre que o objetivo for destravar a economia. Ele reconheceu que o próximo ano será difícil, já que a equipe econômica terá a missão de “arrumar a casa”, sobretudo na área fiscal. Contudo, demonstrou otimismo.

“Se não apoiar, vai lá pagar sua folha”
Guedes reiterou a necessidade de formar um pacto federativo envolvendo políticos das esferas estaduais e municipais. “Estamos prontos para ajudar. Acabou o toma lá, dá cá. Vamos fazer bonito”, disse, defendendo que estados e municípios devem apoiar as reformas do Estado.

Se não apoiar vai lá pagar sua folha. Como ajudar quem não está me ajudando? Quero que dinheiro vá para estados e municípios, mas me dê reforma primeiro

Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, a industriais

Ele destacou que, no ano que vem, os governo vão ter dinheiro com o leilão de áreas de pré-sal excedentes da cessão onerosa. Para que o leilão aconteça, no entanto, espera contar com a ajuda das bancadas regionais no Congresso Nacional. “Vai ter dinheiro para todo mundo no ano que vem com cessão onerosa, se estados e municípios me ajudarem”, garantiu o futuro ministro.

Previdência
Paulo Guedes voltou a defender o sistema de capitalização como o melhor para a Previdência Social, mas admitiu já não ser possível fazer uma transição que inclua todos os trabalhadores. Por isso, a saída é reformar o atual sistema de repartição, “geneticamente condenado”, deixando o sistema de capitalização para gerações futuras. Guedes não fez menção à atual proposta de reforma da Previdência que tramita no Congresso.

Ainda durante o evento desta segunda, Guedes voltou a usar a metáfora do avião que vai cair e criticou as regras atuais, que, como em todo sistema de repartição, “tem uma bomba demográfica”. Segundo ele, com o agravante de ter elevados encargos, o que faz a economia criar um emprego leve à destruição de outros.

“Temos que transitar para um sistema de capitalização. Demoramos tanto tempo que não dá mais para ser disponível para todo mundo. Temos que proteger, agora, as gerações futuras. Então vamos tentar acertar esse sistema que está aí. E, depois, a gente aprofunda e faz a libertação das gerações futuras com um sistema de capitalização que democratize o ato de poupança e liberte as empresas dos encargos trabalhistas, na direção de um choque de criação de empregos”, acrescentou.

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