Simone Tebet sobre Covaxin: “Temos a materialidade, falta autoria”

"Não há como não constatar que esse contrato é fraudulento", defendeu a senadora, que não integra a CPI da Covid

atualizado 09/07/2021 18:02

Hugo Barreto/Metrópoles

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina no Senado, disse, nesta sexta-feira (9/7), após ouvir o depoimento do consultor William Santana, que “há materialidade” em relação às denúncias de supostos crimes envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin e que, agora, cabe aos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid identificarem os autores do crime.

“Não há como não constatar que esse contrato é fraudulento”, disse a senadora. “Já temos a materialidade. Encontrar a autoria agora é responsabilidade dos nobres senadores da CPI”, disse Tebet, que não é membro efetivo do colegiado, mas participa das oitivas e discussões.

Para a parlamentar, as tentativas dos governistas de provar um caráter legal nas negociações não obtiveram êxito e alguns elementos terão que ser investigados. Um dos pontos obscuros, segundo a líder da bancada feminina, é a informação trazida pelo senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) de que os documentos enviados ao Ministério da Saúde teriam sido remetidos no dia 19 de março.

“Essa informação de que a primeira invoice chegou dia 18 ou 19 de março seria relevante apenas se essa primeira invoice tivesse chegado depois do dia 20 de março [quando os irmãos Miranda procuram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para denunciar supostas irregularidades nos trâmites da Covaxin]”, disse a senadora.

A emedebista lembrou que há uma divergência entre as datas de recebimento da primeira invoice pelo Ministério da Saúde. Os governistas defendem que o documento chegou à pasta em 19 de março deste ano, enquanto os senadores da oposição e servidores dizem ter recebido a mensagem em 18 de março.

“O consultor afirma categoricamente que tem certeza que foi no dia 18 de março. Por mais que o senador Flávio [Bolsonaro] tenha apresentado uma informação importante para a comissão, não podemos esquecer que Singapura [local de remetente do documento] está com fuso horário de 10h a 11h. Então dia 19 [de março] lá é que dia é no Brasil? É dia 18. Isso precisa ser investigado”, explicou.

Últimas notícias