Sérgio Camargo publica artigos com “Zumbi gay” e “produto do comunismo”

No dia em que é celebrada a abolição da escravatura, textos publicados pela Fundação Palmares atacam a luta pela consciência negra

atualizado 13/05/2020 19:28

Reprodução/ Facebook

No 13 de Maio, quando é comemorada a assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, a Fundação Palmares, sob o comando de Sérgio Camargo, publicou uma série de artigos que questionam o personagem que dá nome à autarquia: Zumbi dos Palmares.

O conjunto de textos, que cita autores como Laurentino Gomes e um dos gurus do bolsonarismo Olavo de Carvalho, indica o personagem Zumbi como uma “mentira histórica”. Há artigos que citam o personagem como homossexual e produto da esquerda comunista no Brasil.

“Zumbi foi morto. Sua cabeça foi decepada, salgada e levada para Recife, tendo sido exposta publicamente para servir de exemplo a outros negros que ousassem fugir. Depois disso, Zumbi foi castrado e teve o pênis enfiado dentro da boca, uma forma antiga de humilhar os homossexuais. Mas disso o Movimento Negro faz silêncio sepulcral, pois é conveniente que o mito etnocultural do libertador dos negros seja viril, palavra que, como lembra Olavo de Carvalho no artigo Causas Sagradas, tem no latim a mesma origem de “virtude” e “varão”, diz o texto de autoria de Mayalu Felix, no qual ela narra o que teria ocorrido após a morte de Zumbi.

“O comunismo, a negritude, o movimento gay e outras não admitem virtude maior que a de aderir à sua causa, nem pecado mais horrendo que o de combatê-la. Para os militantes, ‘bom’ é quem está do seu lado, ‘mau’ quem está contra – ressalta Olavo de Carvalho”, aponta Mayalu.

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Olavista

Sérgio Camargo é um dos chamados “olavistas” do governo, como se distinguem aqueles que seguem as aulas on-line de Olavo de Carvalho. Ele tem apoio do presidente Jair Bolsonaro para o cargo. Na terça-feira (12/05), Camargo chegou a publicar em suas redes sociais exaltações à princesa Isabel e a avisar sobre as publicações que faria nesta quarta, prometendo “a verdade sobre Zumbi”.

Nesta quarta, ele continuou falando sobre o tema, e se queixando daqueles que discordam do seu posicionamento.

Imagem construída

Outro texto publicado no site da Fundação Palmares, assinado pelo professor de história e jornalista Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, questiona a importância de Zumbi e da consciência negra e aponta que sua imagem teria sido construída por pessoas com pensamento de esquerda.

Para ele, trata-se de “um personagem que poucos provam a sua importância como apregoada pelos movimentos, que o endeusam”.

“Posso afiançar como estudante na época e professor de história como profissão há mais de trinta anos, Zumbi pode até ter existido como personagem de nossa história, mas está longe de ser esse mega ultra super defensor dos negros”, diz o professor, no artigo.

Comunismo

O artigo é intitulado Zumbi: Herói da Consciência Negra Escravizada pela Esquerda. “Neste período de nossa história, vemos a massiva utilização do Marxismo Cultural e do Gramscimo nos meios acadêmicos, principalmente os de cursos de viés Social, englobando História, Sociologia, Filosofia, Geografia, etc. Começava aí, no final dos anos 70, início dos anos 80, uma efervescência do esquerdismo no Brasil principalmente pela volta de políticos desse viés ideológico, a partir da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita oriunda do governo Figueiredo, inundando nossas universidades e faculdades com tal posicionamento de pensamento”, analisa o texto.

O artigo ainda diz que “o personagem Zumbi” foi “montado e introduzido nesse aspecto pela, atualmente deputada federal pelo PT, Benedita da Silva, como figura do Panteão de Heróis do Brasil”.

“Pois, para esses grupos esquerdizantes de nossa sociedade, que endeusam Che Guevara, Stalin, Lenin, Mao Tse-Tung, Ho-Chi Mim, Mandela e outros personagens de viés socialista/comunista, vemos também endeusarem personagens dessa nossa Nova História do Brasil, como Carlos Marighella, que, inclusive, no filme homônimo é encenado pelo ator e cantor Seu Jorge – que é negro, quando Marighella na verdade era mulato, filho de um italiano com uma negra”, argumenta.

Ao final, o texto cita uma mensagem do ator norte-americano Morgan Freeman, dizendo que “no dia em que pararmos de nos preocupar com a consciência negra, amarela ou branca, e nos preocuparmos com a consciência humana, o racismo desaparece”.

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