Sem acordo, PEC da cessão onerosa empaca Previdência
Senadores condicionam acordo da divisão de recursos do megaleilão do pré-sal para aprovar proposta que altera regras da aposentadoria

Ainda não há consenso no Congresso sobre a divisão dos recursos do megaleilão do petróleo que deve ser realizado em 6 de novembro. O governo espera arrecadar R$ 106 bilhões com a iniciativa.
O acordo de cessão onerosa foi fechado pela Petrobras com a União em 2010 e permitiu à estatal explorar 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal sem licitação na Bacia de Santos, em São Paulo. Em troca, a estatal pagou R$ 74,8 bilhões. Mais tarde, no entanto, a empresa descobriu que a reserva poderia chegar a 15 bilhões de barris. O leilão trata desse excedente.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso trata da distribuição de recursos originados da produção de petróleo via cessão onerosa entre estados e municípios. O Senado já votou a proposta que define que 15% dos recursos irão para estados e outros 15% para municípios. O texto precisa ser analisado novamente pela Câmara dos Deputados.
A divisão de recursos leva em consideração regras do Fundo de Participação de Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDe acordo com as regras do fundo estadual, os estados com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são os que têm direito a uma maior parcela, o equivalente a 70%. Ou seja, estados da região Norte e Nordeste ficariam com a maior parte dos recursos do leilão.
Governadores de Sul, Sudeste e Centro-Oeste não aprovam o texto. Por isso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), busca costurar um novo acordo para equilibrar essa divisão com estados das demais regiões. É esse o nó que amarra a conclusão das mudanças no sistema de aposentadorias do país.
Previdência
No Senado, a condição para aprovar em 2º turno a PEC que altera as regras da aposentadoria é justamente o fechamento de um acordo sobre a divisão de recursos do pré-sal. Até que isso ocorra, a votação da reforma da Previdência, prevista inicialmente para 10 de outubro, deve ficar pendente.
Nos bastidores, líderes do Congresso conversam com membros da equipe econômica do governo. A ideia é fechar um acordo para aprovar a Previdência já na próxima semana.
Conversa com Bolsonaro
No último domingo (06/10/2019) o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a pauta no Palácio da Alvorada.
“Foi uma ótima conversa sobre a pauta, sobre os projetos, sobre a preocupação dele para que a gente organize a questão da cessão onerosa. Disse que o presidente Davi [Alcolumbre] estava tocando isso e vai dialogar com os governadores, com os nossos líderes para a gente mostrar que há unidade nas duas Casas, que não vai ter conflito de jeito nenhum”, disse a jornalistas ao sair do encontro.



