PGR: força-tarefa da Lava Jato se demite após tentativa de acesso a dados

Subprocuradora-geral da República, Lindora de Araújo, fez visita ao grupo nesta semana com suposto objetivo de acessar informações sigilosas

atualizado 26/06/2020 21:15

Reprodução

A força-tarefa da Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu demissão nesta sexta-feira (26/05) depois de a coordenadora do setor, subprocuradora-geral da República, Lindora de Araújo, supostamente ter tentado acessar o banco de dados do grupo sem o devido processo — eles alegam que não houve indicação de procedimento que justificasse a abertura das informações.

A informação é do jornal O Globo, que revelou a insatisfação de promotores dentro do Ministério Público Federal (MPF) após o episódio, por causa da suspeita de que o titular da PGR, Augusto Aras, esteja em busca de elementos contra o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Lindora fez, nesta semana, uma visita à força-tarefa em Curitiba (PR), o que causou discordância de procuradores da Lava Jato. Após o episódio, 14 procuradores enviaram um ofício ao PGR e à Corregedoria-Geral da República, reclamando sobre o procedimento da visita.

Considerada o “braço direito” de Aras, a subprocuradora substituiu José Adônis Callou, que se demitiu em janeiro. Além dele e dos três promotores que se desligaram nesta sexta-feira — Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Ricelly –, Maria Clara Noleto também já havia deixado o grupo.

Em resposta, Lindora emitiu nota em que garante ter pré-agendado a visita “há cerca de um mês” e que ela inclusive teria pedido ao procurador Deltan Dallagnol que ele esperasse seu retorno das férias. A solicitação de compartilhamento de dados, por sua vez, teria sido feita em ofício de 13 de maio.

“Não houve inspeção, mas uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal (MPF) é o de organizar as forças de trabalho. Não se buscou compartilhamento informal de dados, como aventado nas notícias da imprensa, mas compartilhamento formal”, alegou ela, acrescentando ter “estranhado a reação dos procuradores”.

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