Parecer do TCU propõe que governo detalhe recursos da PEC dos Auxílios
Técnicos do órgão apontam risco às contas públicas e ameaça a longo prazo, e querem entender como o custo total será bancado

A Diretoria de Fiscalização da Responsabilidade Fiscal do Tribunal de Contas da União (TCU) sugeriu, por meio de parecer, que o governo federal detalhe e identifique de onde sairão os recursos destinados a bancar a PEC dos Auxílios.
“Em contexto mais específico, a emenda envolve as finanças públicas federais, criando despesas, isentas dos mecanismos de controle atuais, que, potencialmente, poderiam agravar o quadro fiscal, comprometendo não só o exercício atual, como a situação fiscal a longo prazo”, afirma o TCU no documento.
Os técnicos do tribunal ainda sugerem que o governo explique:
- a estimativa do orçamento para o Auxílio Brasil, no próximo ano;
- as fontes de financiamento da PEC;
- as fontes de financiamento para o aumento do valor do Auxílio Brasil;
- os impactos no endividamento público em 2022 e 2023;
- as ações do Ministério da Economia para cumprir o teto de gastos; e
- as avaliações das políticas públicas da proposta e seus reflexos orçamentários e fiscais, feitos pela Economia.
A proposta injeta R$ 41,25 bilhões para ampliação de programas sociais e criação de outros benefícios, às vésperas da eleição. A promulgação, no começo do mês, deu o sinal verde para o governo definir como serão feitos os pagamentos dos auxílios previstos na proposta.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA proposta contou com articulação direta do governo federal ao longo de sua tramitação. O Executivo aposta na medida para reduzir a pressão da opinião pública e a rejeição ao presidente às vésperas do início da campanha eleitoral. A previsão é de que os benefícios sejam pagos a partir de agosto.
Esqueleto da PEC
Segundo a PEC, o valor do Auxílio Brasil, programa social que substituiu o Bolsa Família, passará de R$ 400 para R$ 600. A proposta também prevê zerar a fila de beneficiários que ainda aguardam a inclusão no subsídio.
Também consta, na lista de benefícios, a criação de um auxílio financeiro que deverá ser pago a motoristas de taxi para abastecimento do veículo profissional.
Outros pontos da matéria são: ampliação do vale-gás, para o equivalente ao preço de um botijão por bimestre, e a criação de um voucher mensal de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos. A União se propõe, ainda, a ressarcir estados que aderirem à gratuidade para idosos nas passagens de transporte público.
Veja os pontos em destaque do texto:
- Aumenta em R$ 200 o valor do Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600, ao custo estimado de R$ 26 bilhões;
- Zera a fila do Auxílio Brasil. Atualmente, mais de 1,6 milhão de pessoas aguardam pela inclusão no pagamento do benefício;
- Aumenta o vale-gás, para o equivalente a um botijão por bimestre. Esta medida está orçada em R$ 1,5 bilhão;
- Cria benefício de R$ 1 mil para transportadores autônomos de carga. A medida, que custará R$ 5,4 bilhões, contempla apenas os caminhoneiros com Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Carga (RNTRC);
- Cria benefício a ser pago para motoristas de táxi, ao custo fixado de R$ 2 bilhões;
- Compensa, ao custo de R$ 2 bilhões, estados que atenderem à gratuidade de idosos no transporte coletivo urbano.
Os R$ 3,35 bilhões restantes servirão para assegurar o atual regime especial e a diferenciação tributária do etanol, em comparação com a gasolina.





















