Pacheco gastou em cota parlamentar o mesmo que Tebet, Kajuru e Major Olímpio juntos

Recurso usado pelo senador do DEM em 2020 - R$ 294 mil - responde por 97% dos valores utilizados pelo outros três concorrentes

atualizado 23/01/2021 12:10

PlenárioHugo Barreto/Metrópoles

Os quatro candidatos à presidência do Senado Federal, Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Major Olímpio (PSL-SP), Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS) consumiram, juntos, R$ 597.291,48 da cota parlamentar em 2020, ano de pandemia da Covid-19. Contudo, o gasto do senador do DEM, de R$ 294.191,54, é quase o mesmo montante despendido dos outros dois concorrentes, juntos, R$ 303,099,94 — Olímpio usou R$ 183.702,57 e Tebet, R$ 119.397,37, e Kajuru, R$ 0, em todas as rubricas.

Os dados foram levantados pelo Metrópoles, com base no Portal da Transparência do Senado. Até sexta-feira (22/1), o gasto total de todos os parlamentares da Casa foi de R$ 18.612.050,50.

Pacheco, que é apoiado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), gastou R$ 34.460 com divulgação da atividade parlamentar, montante superior ao dos adversários: Olímpio usou R$ 4.767 desta rubrica e Tebet, R$ 1.800.

O senador do DEM é o campeão de uso da rubrica de locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, com R$ 48.137,66 utilizados, enquanto Olímpio gastou R$ 34.907,58 e Tebet, R$ 8.045,72.

Olímpio, por sua vez, é o presidenciável que mais usou recursos da cota parlamentar com o aluguel de imóvel para escritório parlamentar: R$ 94.535,46, seguido por Tebet, com gasto de R$ 78.578,07, e Pacheco, R$ 35.361,31.

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O senador do PSL também lidera as compras de passagens aéreas, aquáticas e terrestres nacionais, com R$ 22.782,19. Pacheco usou R$ 15.874,96 desta rubrica. Não consta gasto de Tebet neste item.

Tebet, por sua vez, usou R$ 46.549,42 com serviços de correios, enquanto Pacheco gastouR$ 11.716,74 e Olímpio, R$ 85,66. Este item é registrado e custeado pela Casa, mas não é incluso na cota para exercício da atividade parlamentar, assim como viagens oficiais e consumo de material de escritório.

Aliás, quando se trata de gastos com estes itens, Tebet utilizou mais do que os adversários, juntos. A senadora do MDB usou R$ 49.631,77, enquanto Pacheco utilizou R$ 16.739,51 e Olímpio, R$ 642,95.

 

“Eu respeito o dinheiro público. Isso é um desrespeito ao dinheiro público, é um escândalo”, afirmou Kajuru, o único dos quatro a não registrar qualquer gasto.

“Moro em Brasília em um hotel, pois não consegui ter apartamento funcional disponível. Em São Paulo, tenho um escritório político locado e tenho as despesas de deslocamento aéreo SP/BSB e deslocamentos terrestres pelo Estado, além das despesas reembolsáveis de alimentação”, disse Olímpio. Procurados, Pacheco e Tebet não se manifestaram.

A cota parlamentar serve para custear despesas do mandato, como passagens aéreas, aquáticas e terrestres, combustíveis, alimentação, serviço de consultoria e material para divulgação da atividade de parlamentares. Além disso, o Senado custeia “outras despesas para que os parlamentares possam desempenhar suas demais atribuições”, como serviço de correios ou material de escritório.

Disputa

Além do apoio de Alcolumbre e Bolsonaro, Pacheco conta com apoio de DEM, PSD, PP, PT, PSC, PL, PDT, Pros e Republicanos, totalizando 41 senadores, o quantitativo de votos necessários para um candidato ser eleito.

No entanto, a eleição do Senado ocorre, presencialmente, no início de fevereiro e a votação é secreta, o que abre margem para potenciais “traições”.

A principal adversária dele é Tebet, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Ela, que pode ser a primeira mulher a comandar o Senado, conta com o apoio de MDB, Podemos, Cidadania e PSB, com 28 parlamentares. Major Olímpio e Kajuru correm por fora na disputa.

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