O que Bolsonaro disse em Miami a empresários, aliados e imprensa?

No total, o presidente falou por 57min e 50s publicamente nos quatro dias que passou nos EUA – e seu discurso se adaptou às audiências

atualizado

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Jair Bolsonaro aperta a mão do presidente dos EUA, Donald Trump -- Metrópoles
1 de 1 Jair Bolsonaro aperta a mão do presidente dos EUA, Donald Trump -- Metrópoles - Foto: Alan Santos/PR

Enviado especial a Miami (EUA) – O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao menos em sua incursão de quatro dias por Miami, moldou-se de acordo com a audiência. Bolsonaro falou publicamente por 57 minutos e 50 segundos somados, em quatro ocasiões: uma vez para apoiadores, que totalizou 31min e 52s (55,1% do total); duas vezes para investidores, que totalizaram 23min e 58s (44% do total); e apenas uma vez para a imprensa, por apenas 2 minutos – 3,5%.

O levantamento foi feito pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, e tomou como base as gravações feitas das falas. Todos os dados são públicos e podem ser consultados.

Em cada uma dessas ocasiões, o discurso teve componentes próprios. Com investidores, o presidente destacou, sempre que pôde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Nas suas duas falas com investidores, ocorridas na segunda (09/03) e na terça (10/03), Bolsonaro deu destaque ao fato de ter conversado com o político carioca sobre as reformas tributárias e administrativas. Maia também foi citado em conversa com apoiadores – porém em menor escala: uma vez.

“Tive uma conversa por WhatsApp rápida com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e ele falou que, em que pese alguns problemas que sempre existiram e sempre existirão entre Executivo e Legislativo, ele está pronto para levar essas propostas adiante”, destacou Bolsonaro em sua última fala, proferida na Conferência Internacional Brasil-Estados Unidos: um novo prisma nas relações de parceria e investimentos.

Na mesma viagem, Bolsonaro encontrou o presidente norte-americano, Donald Trump (foto em destaque), com quem destacou ter uma “boa relação de direita”. Na ocasião, os dois jantaram no resort Mar-a-lago, e Bolsonaro não falou publicamente. Trump, sim.

Democracia também foi uma preocupação do presidente. Aos investidores, ele citou o termo cinco vezes. Com os aliados, ele usou a expressão “democrata” uma única vez: ao dizer que foi eleito vereador pelo Partido Democrata Cristão.

Além disso, Bolsonaro destacou a Amazônia em seus discursos para os investidores. A região, que foi alvo de polêmicas ao longo do ano passado em função de queimadas que levaram a atritos entre Bolsonaro e chefes de outros países, foi citada quatro vezes aos investidores.

Muitos países têm como condição para investir em determinadas localidades que haja uma proteção efetiva dos recursos naturais. “Nós preservamos o meio ambiente. A floresta é úmida. É mentirosa a informação – fake news, obviamente – que fala a respeito de focos de incêndio, queimadas na Região Amazônica”, disse, no mesmo evento.

Nessa mesma ocasião, o presidente negou que o Brasil estivesse atravessando uma crise, em função da queda abrupta da bolsa de valores e da disparada do dólar.

Há uma discrepância grande no volume de citações religiosas de Bolsonaro quando ele fala com apoiadores e quando trata com o mercado. Enquanto a palavra “Deus” foi citada sete vezes para bolsonaristas, seguida por quatro citações a “milagre” e uma a “fé”, para investidores, Deus foi citado cinco vezes e, dessas, apenas uma vez ela foi citada fora da expressão “meu Deus do céu”.

Outra diferença entre o discurso de Bolsonaro aos investidores e aos apoiadores são as críticas à mídia. Nas palestras com o mercado, ele citou o termo “imprensa” duas vezes e “mídia” uma. Já com os aliados, que fazem eco às críticas dele à cobertura jornalística, “imprensa” foi citada 11 vezes, e “mídia”, outras duas.

“No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala, pelo mundo todo. E a outra, que alguns da imprensa conseguiram fazer uma crise, é a queda do preço do petróleo”, foi a citação do presidente à imprensa na sua fala com investidores.

Foram apenas duas menções ao covid-19. O teor da segunda menção, dessa vez para apoiadores, foi semelhante. “Tem a questão do coronavírus que no meu entender está sendo superdimensionado. O poder destruidor desse vírus. Tá certo, então talvez esteja sendo potencializado até por questões econômicas”, disse.

Para a própria mídia, que teve apenas um rápido contato com o presidente, um quarto do tempo foi coberto pelas críticas do presidente ao trabalho dos jornalistas que ali estavam. “Não deturpem as minhas palavras, tá ok? Não façam essa baixaria que a imprensa faz sempre comigo”, foi a fala dele.

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