Nise e Zanotto abandonaram o conhecimento científico, diz médico à CPI

Ex-presidente da Anvisa Cláudio Maierocitch disse já ter trabalhado com ambos e lamentou defesa de medicamentos sem eficácia contra Covid-19

atualizado 11/06/2021 13:04

Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Cláudio Maierovitch criticou a infectologista Nise Yamaguchi e o virologista Paolo Zanotto, apontados como membros do “gabinete paralelo” que assessorava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quanto às medidas para enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Maierovitch declarou “espanto” com a posição da dupla na defesa de tratamentos sem eficácia comprovada para recuperação de pacientes do novo coronavírus.

“Fiquei muito espantado, sabendo da formação dela [de Nise], que ela tivesse assumido posições de defesa de atitudes que contrariam o conhecimento científico, atitudes anticientíficas. Estranhei muito realmente que, com a formação que ela tem, ter abandonado seu conhecimento científico, não sei em prol de quê”, disse.

Sobre Paolo Zanotto, o médico sanitarista defendeu que o virologista não é formado em medicina e, por isso, não deveria opinar sobre assuntos da área.

“Conheci também Paolo Zanotto há muitos anos. Tinha nele uma alta reputação como pesquisador, cientista e como pessoa. Mais uma vez, fiquei surpreso de ver alguém que tem esse estofo abandonar os princípios básicos elementares da construção de um conhecimento científico na defesa de algo que não se sustenta”, afirmou.

Maierovitch ainda citou o médico Anthony Wong, que ganhou notoriedade ao criticar medidas de isolamento social como ferramenta para conter a disseminação do vírus. Ele defendeu que os profissionais de saúde foram “acometidos por um vírus não biológico”. “Pessoas com trajetórias importantes, currículos invejáveis, mas que enveredaram em oposição ao conhecimento científico”, finalizou.

 

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