MPF vai acompanhar ação da Força Nacional em assentamento no sul da Bahia
As suspeitas são de que o governo federal agiu de forma superficial sem prévio diálogo com autoridades locais

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar os trabalhos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no extremo sul da Bahia, em especial no que se refere à utilização da Força Nacional de Segurança Pública.
O apoio militar às ações do Incra nos municípios de Prado e Mucuri, localizados no extremo sul do estado, foi autorizado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, na última quarta-feira (2/9), por meio da Portaria 943/2020, e deve seguir até 2 de outubro.
De acordo com o documento, o objetivo é atuar “nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado”.
O procedimento foi instaurado na quinta-feira (3/9). Para o MPF, há indícios de que a ação foi planejada de forma superficial, sem prévio diálogo do Incra ou do Ministério da Agricultura com o estado da Bahia, com os órgãos públicos que atuam no local ou com as pessoas que atualmente vivem nas áreas dos projetos de assentamento.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesViolência no campo
De acordo com o MPF, a falta de presença permanente, efetiva e consistente do Incra no extremo sul da Bahia — conforme apurado em investigações que acompanham a situação dos assentamentos na região —, seguida pela operação com apoio de força militarizada, pode aumentar o risco de episódios de violência no campo.
Nessa quinta e sexta-feira (4/9), já foram realizadas reuniões com o Incra e com a Polícia Federal — que coordenará os trabalhos da Força Nacional na região — para tratar do assunto. De acordo com a assessoria do MPF, o órgão seguirá acompanhado as ações no local.









