MP do Saneamento avança no Congresso em sessão tumultuada
Oposição tentou obstruir votação. Parlamentares contrários à proposta alegam que ela abre espaço para a privatização total do setor

A Medida Provisória 844/2018, conhecida como MP do Saneamento, avançou no Congresso Nacional nesta quarta-feira (31/10). A Comissão Mista destinada para discutir a proposta aprovou o relatório do senador Valdir Raupp (MDB-RO). Editada pelo presidente Michel Temer em julho, a medida muda diretrizes do marco legal do saneamento básico no país.
A aprovação do relatório ocorreu em meio a tumultos. A oposição tentou obstruir a votação do parecer, mas foi vencida. O grupo de parlamentares contrários à proposta alegam que ela abre espaço para a privatização completa do setor de saneamento no país.
A MP caduca, ou seja, perde a validade, caso não seja aprovada no Senado até 19 de novembro. Mas, antes dessa etapa, o texto precisa passar ainda pelo plenário da Câmara.
Uma das principais alterações promovidas pela Medida Provisória foi tornar a Agência Nacional de Águas (ANA) um órgão regulador de serviços públicos de saneamento básico. Antes, essa tarefa era atribuída ao Ministério das Cidades.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA proposta impacta diretamente serviços como abastecimento de água, tratamento de esgoto e limpeza urbana. Atualmente, essas atividades são realizadas pelos estados e municípios através de empresas públicas, privadas ou mistas.
A Medida Provisória é alvo de duas ações diretas de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federa (STF). O governo federal afirma que a proposta tem como objetivo atrair mais investimentos privados para o setor de saneamento, sem abandonar as metas de universalização e qualidade na prestação dos serviços.



