Ministro de Temer recebeu 32 ligações do ex-diretor da Odebrecht
Segundo José de Carvalho Filho, o contato é prova da negociação para pagamento de R$ 9 milhões em propina a Eliseu Padilha
atualizado
Compartilhar notícia

O registro de 32 chamadas telefônicas feitas pelo ex-diretor da Odebrecht José de Carvalho Filho ao hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em 2014, é um dos documentos apresentados pelo delator para provar o acordo e o pagamento de R$ 9 milhões não contabilizados ao grupo do PMDB formado por Padilha, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e pelo presidente Michel Temer.
José Carvalho apresentou, em dois anexos, o registro da planilha do Drousys – software que era utilizado para organizar e gerenciar o pagamento de propina – com pagamentos relacionados aos dois ministros, sob as alcunhas “Angorá” e “Primo”, ambos atribuídos a Moreira Franco.
“Nitidamente se percebe a correlação dos dois eventos com as duas concentrações de ligações telefônicas com Eliseu Padilha”, dizem dois documentos do delator, que depois confirmou as informações em depoimento gravado em vídeo.
O primeiro pagamento, de R$ 4 milhões, foi feito a pedido de Moreira Franco, que chefiava a Secretaria da Aviação Civil do governo Dilma, mas foi Eliseu Padilha, que o sucedeu naquele ministério, quem tratou do recebimento dos valores acertados com intermediação de José Carvalho.
O segundo acerto foi feito no jantar do Palácio do Jaburu com a presença de Marcelo Odebrecht, Cláudio Melo Filho, Eliseu Padilha e Michel Temer. Os valores neste caso eram de R$ 10 milhões sob pretexto de utilização nas campanhas do PMDB em 2014, mas apenas R$ 4 milhões seriam destinados a Padilha, que alocaria os recursos internamente no partido.
Este valor posteriormente subiu em R$ 1 milhão porque houve uma cobrança do então deputado Eduardo Cunha por uma parte. Os outros R$ 6 milhões que completariam os R$ 10 milhões acertados no Palácio do Jaburu foram encaminhados diretamente para a campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo, naquele ano. Esse valor, segundo o chefe do departamento de Operações Estruturadas, Hilberto Mascarenhas Silva, foi entregue a Duda Mendonça, marqueteiro do presidente da Fiesp.
Além dos telefonemas, José de Carvalho Filho disse que se encontrou pessoalmente com Padilha, no gabinete do peemedebista, para saber o endereço onde os recursos seriam entregues e, nesta mesma ocasião, repassou-lhe a senha para pagamento, feito com recursos não contabilizados do Departamento de Operações Estruturadas – o “Departamento da Propina”.
Outro lado
Após o Grupo Estado revelar em primeira mão a Lista de Fachin, na última terça-feira (11), as defesas dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco afirmaram, por meio de assessores, que não vão comentar a abertura de inquérito contra eles no Supremo Tribunal Federal.
Neste domingo, a assessoria de imprensa de Padilha disse que ele “confia nas instituições brasileiras, razão pela qual registra que tem certeza de que com a abertura das investigações lhe será garantida a oportunidade para exercer amplamente seu direito de defesa”.
Em nota, Paulo Skaf disse desconhecer “totalmente” as supostas contribuições. “Reiteramos que todas as doações recebidas pelas campanhas de Paulo Skaf ao governo de São Paulo estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou suas prestações de contas sem qualquer reparo”, afirmou, em nota. “Paulo Skaf nunca pediu nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas”.
