MEC: militares se irritam com Vélez e devem pressionar pela demissão

Ministro afirmou que referências sobre a ditadura em livros didáticos precisam ser revistas. Para cúpula militar, assunto gera desgaste

atualizado 04/04/2019 22:03

Rafael Carvalho/Governo de transição

Após o ministro da Educação, Ricardo Vélez, defender que as referências sobre a ditadura em livros escolares devem ser revisadas, a cúpula militar se irritou com o chefe do Ministério da Educação (MEC) e pode pressionar para que o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), exonere o venezuelano. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, integrantes da ativa e do núcleo militar do governo de Bolsonaro informaram que a afirmação feita na quarta-feira (3/4) pelo ministro, sobre a narrativa histórica do golpe militar, é apenas uma tentativa dele para se manter no cargo.

Para os militares, trazer o assunto à tona depois do aniversário de 55 anos do golpe militar – 31 de março – foi um desgaste desnecessário. O presidente já tinha causado polêmica, na semana passada, ao pedir que fossem feitas as “devidas comemorações” do aniversário do golpe. Para Bolsonaro, a ditadura não existiu.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse que haverá mudanças em livros didáticos para revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de Estado que retirou o presidente João Goulart do poder, em 1964, e o regime militar que o seguiu.

Vélez diz acreditar que a mudança de regime, há 55 anos, não foi um golpe, e sim uma “mudança de tipo institucional”. Além disso, teria dito que o período que seguiu a posse do general Castello Branco não seria ditadura – mesma opinião do presidente Bolsonaro (PSL) –, e sim um “regime democrático de força”. A tese é refutada por historiadores que estudaram o período. (Com informações da Agência Estado)

Últimas notícias