João Amoêdo: verdades e exageros do candidato outsider à Presidência
Integrante do partido Novo, empreendedor critica o peso do Estado na economia

Fundador do partido Novo, João Amoêdo é o pré-candidato da legenda à Presidência da República. Em sua página no Facebook, ele se define como “empreendedor”, ecoa o discurso de outsider e critica com frequência a “política tradicional”. Sua principal bandeira é a diminuição do papel do Estado, que considera ineficaz e burocrático. Defende a privatização da Petrobras, dos Correios e do Banco do Brasil. Já foi vice-presidente do Unibanco e construiu toda sua carreira no sistema financeiro.
Nas últimas semanas, Amoêdo publicou dados relativos à carga tributária e ao financiamento de campanhas nas redes sociais. A Lupa checou algumas de suas afirmações:

“Trabalhamos 153 dias para pagar impostos”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência pelo Novo, em post feito no Facebook em 28 de março

Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)
Criado em 1992, o IBPT é uma associação privada que estimula o empreendedorismo por meio de estudos, eventos e pareceres técnicos sobre o sistema tributário brasileiro.

“O PT recebe quase R$ 9 milhões de dinheiro público por mês e vai receber mais R$ 200 milhões do fundo eleitoral que eles mesmos criaram”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência pelo Novo, em sua página do Facebook no dia 22 de março

Já os R$ 200 milhões são uma estimativa de quanto o PT receberia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, instituído em outubro do ano passado. O valor foi extraído de um levantamento do jornal Gazeta do Povo – que considerou as estatísticas da eleição para deputado e senador em 2014 e estimou que o PT receberia 11,6% do novo fundo, o equivalente a R$ 199 milhões. A fatia só seria menor do que a do MDB, que receberia 12,5% ou R$ 215 milhões.
Mas esse fundo especial, conhecido como fundo eleitoral, não foi criado pelo PT. A Lei nº 13.487 foi sancionada pelo presidente Michel Temer (MDB) e provém do Projeto de Lei 8703, de autoria do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ao PT, coube a relatoria da proposta por meio do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que foi favorável à aprovação do projeto. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) requereu, com sucesso, que o projeto tramitasse em regime de urgência.
Procurado, João Amoêdo argumentou que o PT orientou a bancada a votar a favor da criação do fundo em ambas as casas. O pré-candidato destacou que, dos 53 deputados petistas, 52 votaram a favor do projeto na Câmara, com uma abstenção. No Senado, dos nove petistas, apenas um foi contrário à proposta. Por este motivo, Amoêdo considera que o PT é, sim, um dos criadores do fundo eleitoral.

“Nos Estados Unidos, nem o presidente tem o benefício [de foro privilegiado]”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência pelo Novo, em sua página do Facebook no dia 28 de março

Nos Estados Unidos, só são julgadas pela Suprema Corte
Mas a comparação dessa questão entre o Brasil e outros países é desaconselhada pela Câmara. Em 2016, um estudo mostrou pontos positivos e negativos do foro privilegiado – e, após comparar 16 países (Estados Unidos, Argentina, Espanha, França, Itália, Portugal, Venezuela, Chile, Peru, Colômbia, México, Áustria, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Noruega), concluiu que não há um padrão internacional na concessão do benefício.
O levantamento ressalta ainda: “ Nenhum país estudado

“O Congresso Nacional gasta mais de R$ 1 bilhão por ano com remunerações e verba de gabinete”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência pelo Novo, em sua página do Facebook no dia 28 de março

Em 2016, o portal Congresso em Foco fez um levantamento demonstrando quanto custam os deputados brasileiros. De acordo com o levantamento, cada um dos 513 parlamentares recebe uma média de R$ 179 mil por mês, somando salário, benefícios e verba de gabinete. Juntos, eles custam, em média, R$ 91,8 milhões ao contribuinte todo mês. Ou R$ 1,1 bilhão por ano.
*Com reportagem de Hellen Guimarães



