Heleno admite que Abin monitorou “maus brasileiros” na ONU

Por meio de sua conta no Twitter, o chefe do GSI defendeu que é dever da Abin relatar menções negativas do governo

atualizado 16/10/2020 19:55

Ministro Augusto Heleno, do GSIRafaela Felicciano/Metrópoles

Por meio das redes sociais, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, admitiu nesta sexta-feira (16/10), que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou participantes da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP 25), realizada em Madri, em dezembro do ano passado.

Em sua conta no Twitter, o general defendeu que é atribuição do órgão acompanhar campanhas internacionais apoiadas por “maus brasileiros”, e que o governo Jair Bolsonaro entende como prejudiciais ao país.

Na postagem, Heleno sustenta que a Abin tem competência legal para atuar na conferência e continuará a agir em “eventos no Brasil e no exterior”.

“Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil”, disse o ministro na postagem endereçada aos “patriotas, que acham que o Brasil não precisa de inteligência”.

Reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo na última terça-feira informou que o governo Jair Bolsonaro enviou agentes à Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25), realizada em dezembro do ano passado, em Madri, na Espanha.

Durante a reunião, de acordo com o jornal, esses agentes monitoraram organizações não governamentais (ONGs), integrantes da comitiva brasileira e representantes de delegações estrangeiras.

A reportagem mostrou ainda que em nenhuma das listas oficiais das delegações nas edições da COP de 2013 a 2018, em posse das Nações Unidas aparecia o nome de representantes do GSI ou da Abin. Fontes acostumadas a participar do evento disseram ser a primeira vez.

Um dos oficiais de inteligência enviados à Espanha confirmou que o objetivo era monitorar e relatar menções negativas a políticas ambientais do governo Bolsonaro, especialmente na Amazônia. O foco, segundo o jornal, foi em ONGs com as quais o governo mantém relação conflituosa, mas também observaram atividades e integrantes da própria comitiva brasileira e de delegações estrangeiras.

A manifestação do ministro ocorre depois de deputados do PSol acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão cobrando investigação por crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa contra o general Heleno e contra o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Nesta semana, ao responder a requerimento por escrito, o Itamaraty omitiu o vínculo funcional dos quatro oficiais de inteligência concursados da agência e de um assessor de confiança que representou Heleno na ONU, o coronel da reserva do Exército Adriano de Souza Azevedo, da Assessoria de Planejamento e Assuntos Estratégicos. Todos foram identificados apenas como “assessores” da Presidência da República.

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