General crítico à Comissão da Verdade é nomeado na Secretaria Geral

Conforme nomeação, assinada por Bolsonaro nesta quinta, militar será secretário especial de Assuntos Estratégicos

atualizado 03/01/2019 19:52

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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) nomeou, nesta quinta-feira (3/1), o general Maynard Marques de Santa Rosa para exercer o cargo de secretário especial de Assuntos Estratégicos da Secretaria-Geral, pasta chefiada por Gustavo Bebianno. O militar ficou conhecido por ter sido exonerado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após criticar a Comissão da Verdade, órgão responsável por investigar crimes de violação aos direitos humanos cometidos durante o regime militar brasileiro. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta quinta.

Maynard chega ao Palácio do Planalto após participar da transição governamental. Ele fez parte do grupo técnico que discutiu a modernização do Estado. A equipe foi chefiada por Bebianno.

Em fevereiro de 2010, o general foi afastado da chefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército pelo então ministro da Defesa, Nelson Jobim. À época, o Santa Rosa classificou a Comissão da Verdade como uma “calúnia” e composta por “fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime para alcançar o poder”.

O Brasil, por mais de quatro décadas, tem sido vítima de campanhas “construcionistas”, que subverteram os valores sociais e desnortearam o senso comum. O bombardeio populista e ideológico, a partir da Constituinte de 1988, consolidou uma cultura de direitos sem deveres e minou o princípio da autoridade” diz parte de um texto publicado por Santa Rosa em seu blog, no site do Exército.

Criada em 2011, a Comissão Nacional da Verdade surgiu a partir da Lei nº 12.528/2011 e entrou em vigor em novembro daquele ano. O objetivo era apurar violações aos direitos humanos cometidas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. O relatório final da CNV foi entregue em dezembro de 2014 à ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

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