Em filiação ao PL, Bolsonaro diz que decisão “não foi fácil”

Presidente lembrou da dificuldade na escolha e mandou sinais amigáveis ao PP e ao Republicanos, partidos que vinha “namorando"

atualizado 30/11/2021 12:47

Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

Em discurso na cerimônia de filiação ao PL, nesta terça-feira (30/11), em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro disse que a decisão de ir para o partido de Valdemar Costa Neto “não foi fácil”. Até recentemente, o mandatário estava “namorando” três partidos: PP, PL e Republicanos. Há um acordo para que o PP indique o candidato a vice na chapa em 2022.

A decisão pelo PL ocorreu após Valdemar Costa Neto ameaçar deixar a base de apoio do presidente.

“Confesso, prezado Valdemar, a decisão não foi fácil. Até mesmo o Marcos Pereira [presidente nacional do Republicanos], conversei muito com ele, bem como outros parlamentares também. E uma filiação é como um casamento. Agora, não seremos marido e mulher: seremos uma família”, declarou Bolsonaro, em pronunciamento que durou pouco mais de 15 minutos.

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O chefe do Executivo federal também acenou ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), que está licenciado da presidência do Progressistas.

“Mas vocês todos fazem parte dessa nossa família. O Ciro, do outro lado… Não foi fácil essa decisão, sempre tentando puxar brasa para sua sardinha. Obviamente, isso nos deixa bastante feliz, porque é sinal de que nós somos queridos. Obviamente, não podemos agradar a todos, mas fazemos o possível”, prosseguiu.

O presidente da República também afirmou que a filiação é “uma passagem para que nós possamos pleitear algo lá na frente”. “Não estamos aqui lançando ninguém a cargo nenhum”, frisou.

Antes de discursar, Bolsonaro pediu para o deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) fazer uma oração.

Em discurso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, destacou alguns feitos do governo Bolsonaro, como Auxílio Brasil, Marco Legal do Saneamento, leilão do 5G e agronegócio.

“Senhor presidente, temos a noção exata da responsabilidade ao empunhar as bandeiras de sua obra a frente de um governo que nunca se intimidou. Esse é o Brasil que está sendo construído. O Brasil que, juntos, vamos abraçar para, prosperar. Bolsonaro, seja bem-vindo a 22, seja bem-vindo ao Partido Liberal”, declarou Costa Neto.

Histórico

Em seus 30 anos de vida pública, Bolsonaro já passou por oito agremiações, algumas das quais foram decorrentes de fusões ou tiveram mudança de nomenclatura. Ele se elegeu vereador em 1988, pelo PDC, partido que depois se fundiu ao PDS, herdeiro direto da Arena, formando o PPR. Durante seus sete mandatos como deputado federal, Bolsonaro passou por PPB, PTB, PFL (atual DEM), PP, PSC e PSL.

O partido ao qual foi filiado por mais tempo foi o PP, no qual esteve entre 2005 e 2016. Já mirando na campanha presidencial, ele se desligou da sigla e foi para o PSC, do pastor Everaldo. De última hora, filiou-se ao PSL.

Depois de ter deixado o PSL, Bolsonaro passou alguns meses tentando viabilizar o Aliança pelo Brasil. Sem sucesso, passou o ano de 2021 tentando dialogar com siglas pequenas, como PRTB, PMB, Avante e Patriota. No caso deste último, um dos filhos do mandatário, o senador Flávio Bolsonaro, chegou a se filiar à legenda para abrir espaço para o pai. Dificuldades internas, no entanto, impediram que as negociações prosperassem.

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