Eduardo Bolsonaro diz à PF que fala sobre ruptura foi “cogitação incerta”

Em depoimento do inquérito sobre atos antidemocráticos, deputado falou: "Atualmente, não acredito que tal ruptura possa ocorrer"

atualizado 25/09/2020 22:46

Andre Borges/Esp. Metrópoles

“Uma cogitação futura e incerta”. Foi dessa forma que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) definiu, em depoimento à Polícia Federal, sua declaração sobre “ruptura institucional” e “medida enérgica” que, segundo ele deveriam ser adoadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O parlamentar foi confrontado na última terça-feira (22/9), pela frase dita ao blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito dos atos antidemocráticos. O teor do termo do depoimento foi revelado pela emissora CNN Brasil e confirmado pelo Estadão.

Durante um live com Allan dos Santos, Eduardo afirmou que “quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessário uma medida enérgica, ele é que será tachado como ditador. Entendo essa pessoas que querem evitar esse momento de caos, mas falando bem abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opção de se, mas, sim, de quando isso vai ocorrer”.

Confrontado pela PF sobre sua declaração, o filho do presidente afirmou que “foi uma análise de um cenário, e não uma defesa de ideia, que a frase está na esfera de cogitação futura e incerta, que inexiste qualquer tipo de organização voltada para a subversão da ordem democrática”.

“E que o termo ação enérgica não se refere a nenhuma conduta específica, tão somente a uma atuação política mais efetiva. Ressalto ainda que não se trata de medida de intervenção militar ou de interferência em outros poderes”, disse Eduardo Bolsonaro à PF.

“Se” e “quando”

Questionado sobre quais elementos ou dados o levaram a declarar que a “medida enérgica” de Bolsonaro não seria uma questão de “se”, mas de “quando”, o filho do presidente respondeu que a fala foi dita “no contexto dos acontecimentos de divergência entre os poderes Executivo e Judiciário”.

À época, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, havia liberado o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril – em outro processo, o decano encaminhou à PGR notícia-crime que pedia a apreensão do celular do presidente, ação de praxe que provocou forte reação no meio militar.

Eduardo Bolsonaro, porém, acrescentou que “atualmente não acredito que tal ruptura possa ocorrer”.

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