Deputado diz que Eduardo Bolsonaro entregou dossiê antifascista para EUA

Douglas Garcia contou na Justiça que uma cópia da "lista de terroristas" foi entregue na embaixada norte-americana, em Brasília

atualizado 10/08/2020 22:05

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP) disse em depoimento à Justiça que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) entregou à embaixada dos Estados Unidos no Brasil uma cópia de um dossiê elaborado por Garcia com informações sobre centenas de pessoas associadas aos movimentos antifascistas. A informação foi dada primeiramente pelo colunista Rogério Gentile, no UOL, e confirmada pelo Metrópoles.

Nesta segunda-feira (10/8), o próprio deputado usou suas redes sociais para explicar que não se trata de “entregar” o filho do presidente, mas que a informação sobre a entrega do dossiê para a representação norte-americana no Brasil não é segredo e fez parte de uma ação conjunta dele e de Eduardo, que enviou cópias para outros órgãos e para a polícia.

Em junho, Douglas Garcia já havia dito que entregaria o dossiê às representações norte-americanas no Brasil junto com Eduardo Bolsonaro.

 

Em um vídeo publicado no dia 2 de junho em suas redes sociais, Garcia afirmou que além de protocolar denúncias na Procuradoria-Geral da República e na polícia encaminharia as informações à embaixada americana porque Donald Trump, presidente dos EUA, havia dito que reconheceria os “Antifa” como organização terrorista.

“Isso aqui é nada mais nada menos que a promoção de uma cultura de paz e segurança entre duas grandes nações. Entretanto, aos Antifas, eu acho que seu sonho de visitar a Disney, conhecer alguns lugares do EUA, ou comemorar seu aniversário lá, vai ter que mudar para Cuba, para a China, para a Coreia do Norte. Assinam comigo este ofício os deputados Eduardo Bolsonaro e Gil Diniz”, disse o deputado no vídeo.

Lista de terroristas

O dossiê não é resultado de investigação oficial. Foi feito informalmente com informações colhidas nas redes sociais. O documento tem 56 laudas e dados pessoais, inclusive fotografias, de quase mil pessoas. O deputado negou à Justiça que tivesse participado da elaboração e da divulgação do dossiê, mas admitiu que o encaminhou para autoridades.

Na semana passada, Garcia foi condenado a indenizar uma mulher que teve seu nome e dados particulares inseridos nessa “lista de terroristas” entregues pelo deputado.

Nesta segunda, o próprio deputado Eduardo Bolsonaro endossou as confirmações feitas pelo deputado Douglas Garcia nas redes sociais, dizendo que veículos de imprensa querem criar intrigas entre os dois.

Ao Metrópoles, a assessoria da Embaixada dos Estados Unidos informou que não tem registro de recebimento de documento listando nomes de supostos antifascistas.

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