Queiroga diz à CPI ser contra a quebra de patente de vacinas

Ministro da Saúde presta depoimento nesta quinta-feira e afirmou aos senadores que Brasil tem 430 milhões de doses do imunizante para Covid

atualizado 06/05/2021 21:59

Marcelo Queiroga_ministroJefferson Rudy/Agência Senado

Em depoimento à Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid nesta quinta-feira (6/5), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se disse preocupado com a quebra de patente de vacinas e afirmou se tratar de um “assunto delicado”.

“Meu temor é que, mesmo com a quebra de patentes, é não termos condições de produzir essa vacinas no Brasil. E, como nosso programa está calcado em vacinas com a Pfizer, Janssen, isso possa interferir de maneira negativa no aporte de vacinas para o programa de imunização”, explicou.

Além da compra de vacinas contra a Covid-19, o ministro foi questionado sobre o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como a cloroquina, e sobre o isolamento social e o uso de máscara para evitar a disseminação do coronavírus.

Queiroga evitou dizer se concorda com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o uso da cloroquina para pacientes com a Covid-19. O medicamento não tem eficácia comprovada para o tratamento do novo coronavírus.

Ao ser questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), Queiroga desconversou diversas vezes e disse que não queria fazer “juízo de valor”. Renan, então, foi mais incisivo: “O senhor compartilha ou não das opiniões do presidente? É uma pergunta objetiva. O senhor pode dizer sim ou não”.

“Eu não faço juízo de valor acerca da opinião do presidente da República. Essa é uma questão técnica”, afirmou Queiroga à CPI da Covid-19, irritando os senadores.

Na sequência, o ministro afirmou que não autorizou a distribuição de cloroquina e destacou que a saída do país para a crise sanitária é a imunização da população. “A solução que nós temos para o problema da pandemia é a campanha de vacinação. Precisamos vacinar a nossa população”, enfatizou ele, acrescentando o uso das máscaras.

Quanto ao número de imunizantes adquiridos, Queiroga disse também que o Ministério da Saúde prestou informações “imprecisas” ao deputado federal Gustavo Freut (PDT-PR) e que, na verdade, o Brasil tem 430 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 contratadas.

Segundo ele, a informação que foi feita de maneira imprecisa ao deputado Fruet, pois não se considera as vacinas da Fiocruz e pontuou que haverá uma retificação.

“O Ministério da Saúde não divulga doses que estão em negociação. Essa informação será retificada, e vamos apurar as responsabilidades. Quatrocentos e trinta milhões [de vacinas] estão contratadas, segundo nos informou aqui o meu secretário-executivo”, acrescentou o ministro, destacando que os cerca de 100 milhões de imunobiológicos da Fiocruz totalizam 560 milhões de doses.

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Previsto para as 14h desta quinta-feira, o depoimento do presidente da Agência Nacional de Viligância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, foi adiado para a próxima terça-feira (11/4).

Queiroga é o terceiro depoente da CPI da Covid-19. Antes, os senadores ouviram os esclarecimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O general Eduardo Pazuello só será ouvido em 19 de maio, uma vez que teve contato com duas pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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