De saída da Rede, Contarato está entre palanques de Ciro e Lula

PT e PDT oferecem possibilidade de candidatura ao governo do Espírito Santo. Já o PSB apostará na reeleição de Renato Casagrande

atualizado 12/07/2021 9:41

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Com malas prontas para sair da Rede, o senador Fabiano Contarato (ES) cogita três opções de legendas para se afiliar: PT, PSB ou PDT. O parlamentar, no entanto, disse ainda não ter decidido o destino e avalia as ofertas apresentadas.

A saída do partido criado por Marina Silva, segundo o senador, tem um caráter exclusivamente pragmático: o de driblar a chamada cláusula de barreira, que impede que partidos com fraco desempenho nas urnas tenham representação em várias instâncias do parlamento.

“O que eu vou fazer e que todo mundo sabe é que eu vou sair da Rede. A Rede é um partido que eu amo, mas, infelizmente, ele não cumpriu cláusula de barreira, então tem uma limitação”, aponta o senador, em conversa com o Metrópoles.

“Vou dar um exemplo: eu queria muito participar da CPI da Covid. Queria muito! Mas não tive oportunidade, porque o partido que eu estou não tinha representatividade para ter cadeira lá”, reclama.

“Isso é muito complicado. O mandato tem que ser proativo, e essa proatividade vai demandar que você ocupe espaços para que se possa exercê-la de forma mais eficiente. A minha saída da Rede é pragmática. Estou saindo por causa disso. Não é pelo campo ideológico, porque, em ideologia, eu me adequo 100% com a Rede”, justificou o parlamentar.

As exigências da chamada cláusula de desempenho partidário e a falta de perspectiva de que o Congresso aprove, antes das próximas eleições, as chamadas federações partidárias têm provocado uma migração de políticos para partidos maiores.

A dança das cadeiras ocorre tanto por motivos eleitorais, em cenário que já começa a ser moldado para a disputa em 2022, quanto – para quem não participará da disputa – para angariar espaço no Congresso.

Aprovada em 2016, a regra impõe que os partidos com menos de 2% dos votos nacionais na próxima eleição não tenham direito à representação partidária e não possam indicar titulares para as comissões, além de perderem recursos do fundo partidário e tempo de propaganda eleitoral. É o caso da Rede.

O senador nega ser condição para sua mudança que o partido para o qual pretende migrar lhe dê condições de disputar o governo do Espírito Santo. O parlamentar – que se mostrou uma revelação nas eleições de 2018, ao desbancar o senador Magno Malta (PL), pastor evangélico e aliado do presidente Jair Bolsonaro – também não descarta a possibilidade.

“Para mim, não é um pré-requisito eu ser candidato, não. Sendo muito sincero, eu não decidi ainda. A nenhum deles eu exigi, como pré-requisito, que eu seja candidato, mas é óbvio que, em qualquer desses três partidos, se houver a construção de projeto de governo para o estado em que o partido e seus dirigentes digam: ‘O senhor seria a melhor pessoa para concorrer’, tudo bem, eu não me furtarei a esse debate.”

Palanques

Há cerca de um mês, Contarato recebeu diretamente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convite para se filiar ao PT. Sem nome no Espírito Santo, o PT poderia dar abrigo a uma possível candidatura ao governo do estado. A proposta, no entanto, ainda não teve um desfecho.

Na terça-feira (6/7), o senador recebeu o convite para ser o candidato do PDT ao governo do estado. Segundo o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi (RJ), o senador é o nome ideal para montar o palanque de Ciro Gomes no Espírito Santo, proposta que tem o apoio de Sergio Vidigal, prefeito do município de Serra, na região metropolitana de Vitória.

O senador já havia conversado com Carlos Siqueira, presidente do PSB, partido que prioriza lançar à reeleição o atual governador Renato Casagrande, como força entre os socialistas contra a união com o PT no próximo ano e como incentivador da chamada terceira via.

A aliança pretendida pelo PT, no campo nacional, com o PSB esbarra na exigência de que o PT não lance candidato em estados considerados prioritários pelos socialistas – como o Espírito Santo.

“Se eu estivesse visando unicamente candidatura ao governo do estado, não teria essa possibilidade para mim, porque o partido vai lançar a reeleição do Casagrande, o que realmente é legítimo. Mas essa não é uma condição. Eu posso ir para o PSB e não concorrer ao governo”, diz.

Enquanto o impasse não se resolve, o senador, nesta semana, articula mais uma conversa, que foi iniciada pelo telefone e deve prosseguir pessoalmente, com o presidente do PDT, Carlos Lupi.

“Quando faço esse movimento, não me vejo em um partido de centro, muito menos de direita. Com esses três partidos, a escolha se dá, primeiro, pelo campo ideológico, e depois por terem uma estrutura bem mais solidificada, com a qual posso ter uma atuação bem mais eficiente, enquanto senador”, diz Contarato.

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