CPI da Covid define agenda de depoimentos da próxima semana. Confira
Colegiado deve ouvir, enfim, o ex-secretário de Saúde do DF Francisco Araújo, além de Marcos Tolentino e o motoboy que sacou R$ 4,7 mi
atualizado
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A CPI da Covid-19 definiu a agenda de depoimentos para a próxima semana. As oitivas são destinadas a ouvir o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco Araújo; o presidente da Rede Brasil de Televisão, Marcos Tolentino; e Ivanildo Gonçalves da Silva, motoboy que sacou R$ 4,7 milhões para a empresa VTClog, que presta serviços de logística para o Ministério da Saúde.
Os trabalhos da comissão começarão com o depoimento de Araújo. Inicialmente agendada para esta quinta-feira (26/8), a oitiva com o ex-secretário foi remarcada para terça-feira (31/8). Ele terá que esclarecer o envolvimento da pasta distrital com a Precisa Medicamentos. A empresa é investigada na operação Falso Negativo, que resultou na prisão de integrantes da cúpula da Saúde do DF.
As investigações apontam que a empresa, também alvo das investigações da CPI, vendeu aproximadamente 150 mil testes de Covid-19 a um valor de quase R$ 21 milhões. A suspeita é que a compra tenha sido superfaturada, visto que a marca dos kits entregues ainda no ano passado para a Secretaria de Saúde foi diferente da acordada em contratos.
Após ouvir Araújo, a CPI espera colher, na quarta-feira (1º/9), o depoimento de Marcos Tolentino. O empresário é amigo do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e apontado como verdadeiro proprietário da Fib Bank. A empresa foi usada pela Precisa Medicamentos, intermediadora da venda da vacina indiana Covaxin, para oferecer uma “carta de fiança” ao Ministério da Saúde.
As atividades da comissão, na próxima semana, encerram-se com a oitiva do motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva. O funcionário da VTClog realizou saques milionários no nome da empresa.
Segundo Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a VTClog movimentou R$ 117 milhões nos últimos dois anos. O elevado montante é tido como suspeito pelos senadores que integram o colegiado.
Boca do caixa
O documento aponta que Ivanildo teve atuação direta na movimentação dos valores. “Ele chegou a sacar, em diversos momentos, o montante de R$ 4.743.693. A maioria foi de saques em espécie e na boca do caixa”, explicou o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
“Apesar de pilotar sua moto em alta velocidade, mais veloz foi o Coaf, que detectou a movimentação atípica e encaminhou o relatório para a CPI da Covid. No item ‘E’ da análise, sob a rubrica ‘ocorrência’, o documento revela: ‘Realização de operações em que não seja possível identificar o destinatário final’”, continuou.
