Com Macri em campanha e Mercosul no foco, Bolsonaro vai à Argentina

Em visita de um dia ao país vizinho, presidente tentará ajudar aliado na disputa pela reeleição. Há manifestações marcadas contra o mandatário brasileiro

Marcos Corrêa/Presidência da República

atualizado 06/06/2019 10:45

Enviado especial a Buenos Aires – O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), desembarca em Buenos Aires, capital da Argentina, às 10h desta quinta-feira (06/06/2019). Será a primeira vez, desde que chegou ao Palácio do Planalto, que o chefe do Executivo brasileiro viaja ao país vizinho — o terceiro maior parceiro comercial do Brasil.

Na agenda de Bolsonaro, há reuniões com congressistas, juristas e empresários. O ponto alto do dia, no entanto, será o encontro entre ele e o presidente argentino, Mauricio Macri, em campanha para reeleição. A escolha do novo presidente argentino será realizada em 27 de outubro.

Assim como o Brasil, a Argentina vive um momento de polarização política entre direita e esquerda. O país se divide entre apoiadores da reeleição do presidente Mauricio Macri — que, assim como o Brasil, enfrenta uma grave crise econômica — e aqueles que querem a volta do kirchneerismo. A ex-presidente Cristina Kirchner foi anunciada como vice na chapa rival de Alberto Fernández.

Em pesquisa divulgada no começo de maio, pelo instituto Synopsis Consultores, a chapa de Cristina estava cinco pontos à frente de Macri. Eram 37,2% das intenções de votos para ela ante 31,6% para Macri.

A visita de Bolsonaro representa um endosso à campanha de Macri, que rompeu com a hegemonia dos Kirchner e deu início a um governo reformista, com foco no liberalismo econômico. A diferença entre o brasileiro e o argentino está na pauta de costumes, que recebeu pouca atenção de Macri.

Protestos
Aliados de Maurício Macri temem que a chegada de Bolsonaro, tido como extremista por setores da sociedade argentina, possa significar perda de apoio popular ao candidato à reeleição. Entidades sindicais convocaram manifestações em repúdio à visita de Bolsonaro. A mais forte delas deve ser mesmo o ato “Argentina Rechaza Bolsonaro”, marcado para as 18h, na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada — residência oficial do presidente argentino.

Nessa mesma hora, Bolsonaro estará reunido com empresários brasileiros e argentinos em um hotel. Logo depois, às 19h, fará a live semanal nas redes sociais para contar detalhes dos encontros do dia em solo argentino. A volta ao Brasil está marcada para o início da manhã desta sexta-feira (07/06/2019).

Assuntos da visita
Além da eleição argentina, um dos focos do encontro entre os presidentes é o Mercosul. Faltando um mês para a reunião da cúpula do bloco, a tendência é que eles discutam formas de enxugar ainda mais o grupo comercial e flexibilizar algumas regras que impedem os países-membros de negociar acordos individualmente com nações de outros continentes.

O assunto Venezuela também estará presente. Macri e Bolsonaro prometem assinar uma declaração bilateral que incluirá menções à crise política do país. Por fim, a questão energética terá espaço na agenda do encontro. O presidente brasileiro quer dar continuidade a estudos paralisados desde 2015 sobre a possível construção de duas hidrelétricas na fronteira entre Argentina e o estado do Rio Grande do Sul.

Trata-se das usinas Garabi e Panambi, no Rio Uruguai. A ideia é conseguir apoio declarado do presidente Macri. Acordos sobre exportação de energia entre os dois países também serão debatidos. Além disso, o assunto agronegócio entrará na pauta.

Acompanham o presidente Bolsonaro à Argentina os ministros da Economia, Paulo Guedes, da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; da Agricultura, Tereza Cristina; de Minas e Energia, Bento de Albuquerque; e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e a esposa dele, Helena Witzel; o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS); e o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS).

A primeira-dama Michelle Bolsonaro também acompanha a visita e terá uma agenda à parte, que inclui uma visita ao Centro de Convenções Tecnópolis. No local, Michelle participará da abertura da 2ª Cúpula Global sobre Deficiência.

 

Veja a agenda de Bolsonaro na Argentina:

10h10 – Chegada a Buenos Aires
10h35 – Chegada à praça San Martín
10h40 – Cerimônia de oferenda floral
11h00 – Chegada à Casa Rosada
11h05 -Reunião privada (Casa Rosada)
11h25 – Reunião ampliada (Casa Rosada)
12h40 -Declaração conjunta à Imprensa
13h00 – Reunião com cúpula do Congresso da Nação Argentina
13h15 – Reunião com o Presidente da Corte Suprema de Justiça
13h35 – Chegada ao Museu do Bicentenário
13h40 – Almoço oficial oferecido pelo senhor Presidente da República Argentina (Museu do Bicentenário)
14h50 – Chegada ao Hotel Alvear Palace
16h25 – Chegada à Embaixada do Brasil
16h30 – Encerramento do Seminário de Indústria de Defesa (Embaixada do Brasil)
16h55 – Chegada ao Hotel Alvear Palace
17h – Encontro com empresários (Hotel Alvear Palace)
19h – Transmissão de Live para as redes sociais (Hotel Alvear Palace)
20h – Jantar privado

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