Coaf identifica irregularidades em empresa investigada na CPI da Covid

Os documentos que atestam movimentações financeiras atípicas pela Precisa foram entregues à CPI e acessadas pela TVv Globo

atualizado 08/07/2021 8:22

coafRaimundo Sampaio/Especial para o Metrópoles

De acordo com o um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entregue à CPI da Covid-19 e acessado pela TV Globo, a Precisa Medicamentos fez movimentações financeiras atípicas entre fevereiro e junho deste ano. A empresa também está envolvida em uma suposta compra de doses superfaturadas da vacina indiana Covaxin.

De acordo com o documento, a Precisa movimentou cerca de R$ 43,7 milhões de fevereiro a junho, sendo que a média de movimentação financeira anual da empresa é de R$ 17 milhões. Além disso, os agentes do Coaf ainda apontaram que a origem da diferença de R$ 26,7 milhões nos lucros não foram identificadas.

Além disso, o sócio-presidente da empresa Francisco Maximiano também movimentou quantias fracionadas de valores aproximados a R$ 10 mil, o que também levantou suspeitas dos agentes do órgão. Apesar de a CPI ter ordenado a quebra do sigilo de Maximiano, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a ele o direito de ficar em silêncio na CPI da Covid, no Senado.

Além de poder permanecer calado, Maximiano também terá direito à assistência por advogado durante a oitiva e não poderá “sofrer constrangimentos físicos ou morais”.

“Tratam-se de transações financeiras regulares, lícitas, entre empresas coligadas. Considerar isso ilegal é querer distorcer os fatos, eis que o conceito de transação atípica do Coaf não é necessariamente de operação financeira irregular”, justificou a Precisa em nota à TV Globo.

Precisa Medicamentos

A Precisa Medicamentos teria intermediado a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. No contrato, foram apontadas irregularidades. O caso passou a ser investigado pela Procuradoria da República do Distrito Federal (PRDF) e pela Polícia Federal, além de ser alvo da CPI da Covid.

O caso veio à tona, quando o servidor Luis Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, denunciou suspeitas de irregularidades na aquisição. Ricardo é irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que corroborou com a declaração e acrescentou detalhes, como o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na quinta-feira (1º/7), o empresário enviou uma nota à CPI da Covid, rebatendo os irmãos Miranda, autores da denúncia. A declaração, com escritura pública lavrada em cartório, aponta 19 pontos de supostas contradições dos irmãos.

Em um deles, Maximiano destaca discrepância na data do invoice e da suposta conversa entre eles e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na versão dos Miranda, o encontro teria acontecido no dia 20 de março. Segundo o empresário, o invoice só chegou à pasta no dia 22.

“Os áudios levados pelos irmãos Miranda comprovam que eles somente tomaram conhecimento do teor invoice e das aludidas irregularidades no processo dois dias depois de se encontrarem com o presidente da República”, diz Maximiano, em vídeo, só com áudio e imagens.

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