Caso Marielle: filhos de Bolsonaro postam elogios de Élcio ao PT

Carlos e Eduardo Bolsonaro repercutem depoimento de Élcio Queiroz, suspeito de ser um dos assassinos da vereadora

atualizado 06/11/2019 17:32

Deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)Reprodução/Redes sociais

Dois filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) fizeram publicações na internet para mostrar a ligação de um dos acusados de matar a vereadora carioca Marielle Franco (PSol) com o PT. O vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC) foi o primeiro a postar um trecho de depoimento do ex-PM Élcio Queiroz ao Ministério Público local, no qual ele busca desqualificar a acusação de que teria antipatia por políticos de esquerda.

“Não tenho antipatia nenhuma com governo de esquerda, já fui até funcionário de governo de esquerda”, diz o ex-PM no vídeo. “Fui assessor do PT em Nova Iguaçu [interior do Rio] quando o prefeito era Lindbergh (Farias). Então, não tem [antipatia]. Pelo contrário, foi o melhor patrão que já tive. Pagava muito bem seus funcionários, não tenho nada que falar da esquerda”, completa um dos suspeitos de ter assassinado Marielle.

Élcio está preso em um presídio federal em Porto Velho (RO). O vídeo é parte de um depoimento que ele prestou por videoconferência no dia 4 de outubro de 2019.

Apesar de afirmar não ter problemas com governos de esquerda, o ex-PM era filiado ao DEM até ser expulso pela sigla após a sua prisão. Ele se filiou ao DEM-RJ em julho de 2011.

“Diante da suspeita de envolvimento do filiado Élcio Vieira de Queiroz com o atentado à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes, revelada durante a Operação Lume, realizada na manhã desta terça-feira (12), quando foi preso, o Democratas Nacional decide aplicar a sanção sumária de expulsão – com cancelamento de filiação partidária – pelo descumprimento dos deveres éticos previstos estatutariamente”, informou o partido no último dia 12 de março.

O esforço dos filhos de Bolsonaro para ligar o suspeito à esquerda ocorre após a revelação, em reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo, de que um porteiro do condomínio onde o presidente tem casa, no Rio, o citou em um depoimento.

O porteiro teria dito que Élcio Queiroz interfonou para a casa de Bolsonaro no dia do crime, 14 de março de 2018, para entrar no condomínio e se encontrar com outro suspeito, Ronie Lessa, que também está preso. O Ministério Público do Rio considera que não há indícios de que o depoente tenha dito a verdade, mas o caso continua repercutindo.

Lindbergh contesta
Ex-prefeito de Nova Iguaçu e ex-senador, o petista Lindbergh Farias foi ao Twitter contestar a informação repassada por Élcio Queiroz e buscou jogar o suspeito para o lado da direita.

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