Candidatos à presidência da Câmara viajam pelo país em busca de votos

Essa é a estratégia de Arthur Lira (PP-AL), Baleia Rossi (MDB-SP) e Capitão Augusto (PL-SP). Fábio Ramalho (MDB-MG) aposta no telefone

atualizado 05/01/2021 19:13

Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Com o início do ano, os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados intensificaram as campanhas para a eleição da Mesa Diretora da Casa, que ocorre no início de fevereiro.

Os principais candidatos são Arthur Lira (PP-AL), com apoio do Palácio do Planalto, e Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ambos pretendem viajar por vários pontos do país, no intuito de angariar votos.

Correndo por fora, Capitão Augusto (PL-SP) também pretende viajar, mas Fábio Ramalho (MDB-MG) vai apostar nos telefonemas e no contato pessoal em Brasília.

O PSol, com 10 deputados, e o Novo, com 8, ainda não definiram a estratégia. O PSol deve se reunir na próxima semana e está dividido entre lançar uma candidatura, como de praxe, ou anunciar apoio a Baleia Rossi.

Para ser eleito, o candidato necessita de 257 votos dos 513 deputados, sob voto secreto – o que dá margem a “traições” de ambos os lados. E é nisso que todos os candidatos apostam para se eleger.

Na região Norte

O líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), iniciou, nesta terça-feira (5/1), a campanha nos estados da região Norte. As conversas desta terça-feira são com os governadores do Amapá, Waldez Góes (PDT), e do Pará, Helder Barbalho (MDB), além de deputados dos respectivos estados. Os governadores pertencem a partidos aliados do candidato Baleia Rossi.

Nesta quarta-feira (6/1), as conversas seguem em Roraima e no Amazonas. No dia seguinte, Lira vai ao Acre e a Rondônia.

Lira possui o apoio das seguintes legendas partidárias: PP, PL, PSD, Republicanos, Solidariedade, Pros, Patriota, PSC e Avante – 193 parlamentares. O PTB, com 11 deputados, e o Podemos, com 10, devem seguir com ele, totalizando 214 deputados.

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Baleia Rossi

Após a confirmação do apoio do PT, Baleia Rossi vai oficializar a candidatura à presidência da Câmara nesta quarta e, no dia seguinte, já põe o pé da estrada. Há uma possibilidade de o deputado se reunir com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), mas a assessoria do parlamentar disse que a agenda ainda não está fechada.

Rossi, contudo, viajou ao Recife em 23 de dezembro de 2020, mesmo dia em que foi anunciado como candidato, para se reunir com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), ao lado de Maia e do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Nos últimos dias, o emedebista se concentrou em reuniões com aliados.

Baleia Rossi tem o apoio do PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PCdoB e Rede – no total de 281 deputados, teoricamente.

Bancadas temáticas

O deputado Capitão Augusto vai apostar nos contatos individuais, no âmbito das frentes parlamentares e das bancadas temáticas, como segurança (da qual é presidente), de combate à corrupção, em defesa da família e outras. O deputado avalia que possui hoje 70 votos.

Ainda assim, ele vai viajar, a partir da próxima segunda-feira (11/1), a Mato Grosso, a Minas Gerais e aos três estados da região Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A ideia dele é passar dois dias em cada local e conversar com alguns deputados.

“Arthur Lira e Baleia Rossi apostam nas bancadas partidárias, mas, ao meu ver, as bancadas temáticas teriam influência, se o voto fosse aberto. Mas como é voto secreto, o partido não tem como saber [em quem o parlamentar vai votar] e acredito que o lado vocacional político do parlamentar vai falar mais alto”, afirmou Augusto, reforçando a defesa pelas pautas de costumes.

“Candidato do plenário”

O deputado Fábio Ramalho anunciou que, ao contrário dos demais candidatos, não vai viajar, devido à pandemia da Covid-19. Ele, que disse ter conversado com cerca de 430 deputados, aposta no contato pessoal e por telefone.

O emedebista declarou que pretende conversar ainda com cerca de 20 deputados e acredita que chegará ao segundo turno, “como candidato do plenário”. “Minha candidatura é irreversível, só quem tira é o plenário, no voto”, destacou.

Ramalho pondera que a Casa “precisa ter harmonia”. Ele conversa com o presidente Jair Bolsonaro e com a oposição, mas diz que a eleição de Lira ou Rossi é antecipar 2022. Afinal, os dois principais candidatos postos “um é do Palácio e outro é do presidente da Câmara”. “Quem está na Câmara não quer esse embate o ano inteiro”, completou.

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