“Braga Netto foi inerte em momentos cruciais”, diz relatório da CPI

O general foi coordenador do Centro de Operações do Comitê de Crise da Covid-19 até março, mas acabou não sendo convocado para depor

atualizado 20/10/2021 11:38

Braga NettoHugo Barreto/Metrópoles

O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, foi acusado de responsabilidade na epidemia com resultado de morte pelo seu comportamento dúbio em relação ao tratamento precoce da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirma que o militar “contribuiu para desinformar a população brasileira”.

Braga Netto teria sido “inerte” no posto de assessor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em “momentos cruciais” da pandemia. O general acabou não sendo convocado para depor.

Veja a íntegra do relatório da CPI:

Relatório final de Renan Calheiros da CPI da Covid-19 20/10/2022 by Metropoles on Scribd

Um dos exemplos é a crise de oxigênio em Manaus. O general foi coordenador do Centro de Coordenação das Operações do Comitê de Crise da Covid-19 até março deste ano.

“A população da cidade de Manaus vivenciou momentos de desespero, em razão do caos que se instalou no sistema de saúde do Amazonas. Houve mortes por asfixia, em razão da falta de oxigênio medicinal”, destaca trecho do relatório.

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, afirmou que a comissão deveria ter convocado o general Walter Braga Netto, ministro da Defesa e ex-ministro da Casa Civil.

“O Braga Netto tinha de ser convocado. Era o certo. Ele era o coordenador. Ninguém estaria chamando o general Braga Netto, mas o ministro que era o coordenador da maior crise sanitária que o mundo já viveu. Todas essas ações foram equivocadas e inócuas, e chegamos ao número de mortos que está aí”, disse Aziz, em entrevisto ao clunista do Metrópoles Guilherme Amado.

Leitura

Renan Calheiros apresentou o parecer oficial aos integrantes da comissão nesta quarta-feira (20/10).

O documento, que tem 1.180 páginas, pede o indiciamento de 66 pessoas e duas empresas. A votação será na próxima terça-feira (26/10).

No novo documento, o relator retirou o pedido de indiciamento de Bolsonaro pelo crime de genocídio contra povos indígenas e o indiciamento de Flávio Bolsonaro pelo crime de advocacia administrativa. Esses eram pontos divergentes entre os senadores.

A CPI foi criada para apurar supostas omissões e irregularidades do governo federal no combate à pandemia no Brasil.

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