Bolsonaro volta a criticar Petrobras: “Brasil não aguenta reajuste”

Presidente disse que empresa fatura às custas da população. Lucro da petroleira no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 44,561 bilhões

atualizado 07/05/2022 16:11

Presidente Jair Bolsonaro discursandoRafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a falar sobre a Petrobras neste sábado (7/5). Durante visita à Feira Nacional de Soja, no Rio Grande do Sul, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o Brasil não aguenta mais um reajuste de combustíveis. Em sua fala, Bolsonaro disse que a estatal “fatura dezenas de bilhões de reais às custas do povo brasileiro”.

Nesta semana, a Petrobras anunciou que registrou lucro de R$ 44,561 bilhões no primeiro trimestre de 2022 — resultado 3.718,4% maior do que o lucrado no mesmo período do ano passado, quando a estatal faturou R$ 1,167 bilhão.

“Essa semana vocês estão conhecendo um pouco mais do que é a Petrobras aqui no Brasil. Temos nichos, temos redutos ainda em nosso governo, espalhados por todo o Brasil, que não entenderam que todos nós estamos no mesmo barco”, afirmou o presidente.

“Eles sabem que o Brasil não aguenta mais um reajuste de combustível numa empresa que fatura dezenas de bilhões de reais por ano às custas do nosso povo brasileiro”, acrescentou.

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Momentos antes do balanço ser divulgado, o presidente Jair Bolsonaro criticou duramente os recentes lucros da estatal. Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na última quinta-feira (5/5), ele disse, aos gritos, que é um “crime” e um “estupro” a empresa ter um lucro “abusivo” em períodos de crise.

Na live, o presidente apelou para a Petrobras não anunciar um novo aumento no preço dos combustíveis, o que, segundo Bolsonaro, “pode quebrar o Brasil”.

“Sei que [a Petrobras] tem acionistas. Mas quem são os acionistas? Fundos de pensões dos Estados Unidos. Nós estamos bancando pensões gordas nos Estados Unidos. Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem mais aumentar mais os preços dos combustíveis”, disse o presidente na última quinta-feira.

No dia seguinte, o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, afirmou que a estatal manterá a política adotada atualmente para definir o valor dos combustíveis – a qual consiste em seguir os preços praticados pelo mercado. De acordo com ele, os resultados constituem fruto de uma “gestão responsável que tem sido feita nos últimos anos”.

“Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado. É uma condição necessária para a geração de riqueza não só para a empresa, mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para a atração de investimentos do país e para garantir o suprimento dos derivados que o Brasil precisa importar”, disse o presidente da estatal.

Entenda

A expectativa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) era que o lucro da Petrobras, no primeiro semestre deste ano, chegasse aos R$ 42,6 bilhões.

No trimestre, a receita de vendas ficou em R$ 141,641 bilhões, o que corresponde a alta de 64,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A escala no valor é ligada ao conflito na Ucrânia, que impulsionou o aumento no preço do petróleo.

No primeiro trimestre deste ano, a estatal registrou a venda de 2,46 milhões de barris de petróleo e gás natural equivalente (boe) por dia. Os números são quase iguais ao patamar dos 2,45 milhões de barris do mesmo período do ano passado.

De acordo com o último balanço da estatal, a venda de derivados no primeiro trimestre teve escalada de 2% em comparação ao mesmo período do ano passado. A comercialização da gasolina teve alta de 17,3%; já o diesel sofreu 2,1% de queda.

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