Bolsonaro usa texto de apoiador para justificar gastos com leite condensado

Reportagem do Metrópoles mostrou que, no último ano, todos os órgãos do Executivo federal pagaram, juntos, mais de R$ 1,8 bi em alimentos

atualizado 27/01/2021 17:37

Presidente Jair BolsonaroIgo Estrela/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou nesta quarta-feira (27/1) texto redigido por um apoiador, em resposta à reportagem sobre as compras de produtos alimentícios efetuadas em 2020 por todos os órgãos do Executivo, publicada pelo Metrópoles no último domingo (24/1).

No ano passado, o governo federal gastou R$ 15 milhões em leite condensado – dessa quantia, R$ 14,2 milhões foram destinados ao Ministério da Defesa e R$ 1 milhão, para a pasta da Justiça.

Em seu canal do Telegram, o presidente compartilhou trecho de um texto que justifica as despesas com o produto.

“Os maiores compradores da iguaria são o Ministério da Defesa e a Funai, por um motivo comum: em locais distantes e pouco acessíveis, não é viável o transporte e o armazenamento de leite fresco, que estraga rapidamente”, diz a mensagem.

Pura fumaça

Mais cedo, nesta quarta, o vice-presidente Hamilton Mourão comentou a reportagem e disse que se tratava de “pura fumaça”.

“Pura fumaça. Todos esses gastos são gastos orçamentários, previstos alguns como despesa obrigatória, outros como despesa discricionária, que foram efetuados dentro do que estava previsto no desembolso do Orçamento do ano passado. E se pegar o que foi gasto em anos anteriores eu tenho certeza que estará mais ou menos no mesmo patamar. Isso faz parte dessa pressão que está sendo feita em cima do nosso governo”, afirmou o vice.

Conforme mostrou o levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base no Painel de Compras atualizado pelo Ministério da Economia, no último ano, todos os órgãos do Executivo pagaram, juntos, mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos – um aumento de 20% em relação a 2019. Para a reportagem, foram considerados apenas os itens que somaram valores acima de R$ 1 milhão pagos.

Em 2020, os órgãos federais desembolaram R$ 15 milhões na compra de leite condensado, R$ 5 milhões com uvas passas e R$ 2 milhões em chicletes. Pizzas e refrigerantes também fizeram parte do cardápio do ano, com débito de R$ 32,7 milhões aos cofres da União.

Leite condensado com pão

Nas redes sociais, o assunto viralizou e ficou entre os mais comentados do Twitter nesta terça-feira (26/1). O principal? Leite condensado, frequentemente associado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sobretudo depois que ele admitiu apreciar o doce com pão.

Apesar dos inúmeros memes com o rosto do chefe do Executivo, os R$ 15 milhões gastos com o ingrediente, como diz a própria reportagem, referem-se ao uso de toda a administração federal. O brasileiro, no entanto, pegou carona no assunto e encheu as redes sociais de piadas.

Na esfera pública, também houve grande repercussão. Senadores e deputados protocolaram, nesta terça, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Presidência da República. Os parlamentares querem que o órgão investigue os gastos do Executivo em alimentação.

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