Bolsonaro se reúne com equipe econômica após divergência sobre Renda Cidadã
Na segunda, governo anunciou uso recursos do Fundeb e de verbas do Orçamento para pagamento de precatórios a fim de financiar programa

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu na noite desta quarta-feira (30/9) com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a equipe econômica do governo para tratar sobre o futuro do financiamento do novo programa social, chamado de Renda Cidadã.
No início da semana, ao anunciar a criação do programa, o relator do Orçamento de 2021 no Congresso, senador Márcio Bittar (MDB-AC), disse que o governo usaria 5% do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e verbas reservadas no Orçamento para pagamentos de precatórios para bancar a proposta.
O anúncio sobre o uso de recursos para financiar o programa gerou repercussão negativa no mercado financeiro e entre parlamentares.
Mais cedo, nesta quarta, Paulo Guedes afirmou que o governo não usará precatórios para financiar o novo programa social.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPrecatórios são dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça. Ou seja, quando um cidadão ganha um processo judicial contra um ente público e tem valores a receber, ele passa a ter um precatório do governo e entra na fila do pagamento.
Dívida lúquida e certa
Guedes afirmou que entende que os precatórios são “dívida líquida e certa” e disse que o governo “vai pagar tudo”. Por outro lado, o ministro acrescentou que é preciso examinar quando há despesas “subindo explosivamente”.
“Não para financiar programas, que não é regular, não é uma fonte saudável, limpa, permanente, previsível [de recursos]. Mas é natural, se estamos querendo respeitar teto [de gastos], passar uma lupa em todos os gastos”, disse.
Além de Guedes, compareceram na reunião convocada por Bolsonaro na noite desta quarta os secretários Bruno Bianco (Previdência e Trabalho), José Tostes Neto (Receita Federal) e Waldery Rodrigues (Fazenda). O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e o senador Márcio Bittar (MDB-AC) também participaram.
Proibido de falar
Ao chegar no Palácio do Planalto, Bittar foi questionado sobre o relatório que detalhará o programa e, se concluído, será analisado pelo Congresso Nacional. “Está sendo finalizado”, disse, sem dar mais detalhes.
Ao fim da reunião, que durou cerca de 2 horas, nenhum dos presentes fez declarações à imprensa, fugindo da pergunta dos jornalistas e saindo apressadamente. “Desculpa, não vou falar”, se esquivou Bittar. “Fui proibido de falar”, acrescentou Barros.






















