Bolsonaro nomeia ator Mario Frias para Secretaria Especial da Cultura

Ator assume pasta após exoneração de Regina Duarte. Ela foi cotada para o comando da Cinemateca Brasileira, mas situação está indefinida

atualizado 19/06/2020 21:46

Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou o ator Mario Frias para assumir a Secretaria Especial da Cultura, órgão vinculado ao Ministério do Turismo. O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta sexta-feira (19/06).

Frias assume a pasta no lugar da atriz Regina Duarte, a quem foi prometida a gestão da Cinemateca de São Paulo, instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira – mas a situação ainda está indefinida.

Mario Frias se encontrou com o presidente Bolsonaro no dia 20 de maio. Naquele dia, como o Metrópoles antecipou, o ator aceitou o convite para chefiar a pasta responsável pela Cultura.

O ator carioca, de 48 anos, ficou conhecido nos anos 1990 quando participou do seriado Malhação, da Rede Globo. Mario Frias ainda atuou em novelas, como Meu Bem QuererO Beijo do VampiroO Quinto dos InfernosSenhora do Destino e Verão 90, entre outras. Atualmente, Frias é apresentador e já comandou programas como Tô de Férias, no SBT, e Super Bull Brasil, na RedeTV!

O presidente da República já vinha acenando a Mario Frias durante a gestão de Regina Duarte. No dia 19 de maio, Bolsonaro compartilhou um debate entre o novo secretário e o ator Fúlvio Stefanini na CNN. Durante a conversa, o ator se colocou à disposição do presidente, apesar de dizer que torcia por Regina na pasta.

“Pro Jair, cara, pro que ele precisar, eu tô aqui. Eu torço demais pela Regina, Regina é um ícone para mim. Uma pessoa que mexeu com o meu coração. Amo você, Regina, sou seu fã. Mas, pelo Brasil, tô aqui”, respondeu, ao ser perguntado se ele foi formalmente convidado para o cargo.

Trajetória de Regina Duarte na Cultura

Desde que assumiu o comando da pasta, em 4 de março, Regina Duarte passou a ser atacada pela ala ideológica do governo.

Em um episódio mais recente, que ilustrou a crise na pasta, o governo renomeou, em 5 de maio, Dante Mantovani para presidir a Fundação Nacional de Artes (Funarte). O maestro havia sido exonerado por Regina Duarte no dia em que assumiu o comando da Cultura.

Nos bastidores, fontes informaram que Regina não havia sido notificada da mudança e “não entendeu” a nomeação. Mais tarde, no mesmo dia, o governo voltou atrás e o maestro foi exonerado.

Quando presidiu a Funarte pela primeira vez, tendo sido nomeado em dezembro de 2019, Mantovani ficou conhecido por relacionar, em um vídeo em seu canal, o rock a drogas, ao sexo, ao aborto e ao satanismo.

“O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo, com o satanás para ter fama, sucesso”, disse.

A saída da Secretaria Especial da Cultura foi anunciada em vídeo ao lado do presidente Bolsonaro em 20 de março, porém, sua exoneração do cargo foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) pouco mais de 20 dias depois, na semana passada.

Bolsonaro queria Regina “mais próxima”

Em abril, questionado na portaria do Palácio da Alvorada se a atriz iria continuar no comando da Secretaria de Cultura, Bolsonaro elogiou Regina Duarte, mas disse que a queria mais próxima. Com a pandemia do novo coronavírus, a secretária passou a despachar de sua casa, em São Paulo.

“Infelizmente Regina tá em São Paulo. Eu quero que ela esteja mais próxima. Excelente pessoa, bom quadro. [A pasta] É também uma secretaria que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essa coisa toda que a massa da população não admite. Ela tem dificuldade nesse sentido”, disse Bolsonaro, na ocasião.

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