“Bolsonaro é político popular, não é um populista”, diz Guedes

Ministro da Economia afirmou que o presidente apoia reformas e disse esperar que o Senado avance com as medidas na Casa

atualizado 24/10/2021 12:47

Paulo Guedes em coletiva de imprensaGustavo Moreno/Especial Metrópoles

Após uma semana conturbada na economia provocada pela crise do teto de gastos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou o Parque de Exposições da Granja do Torto, em Brasília, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, neste domingo (24/10).

Ao comentar o anúncio do Auxílio Brasil, programa social substituto do Bolsa Família, Guedes defendeu o valor de R$ 400 para as famílias e afirmou que precisa de R$ 30 bilhões para dar R$ 100 a mais.

“Todos sabem que já tínhamos previsto R$ 300 [para o Auxílio Brasil] dentro do teto, só que o Senado não avançou com a reforma, não deu a fonte, não conseguiu avançar com o Imposto de Renda, que daria a fonte”, disse. “Então, a política pressiona o presidente, vamos deixar os brasileiros com fome?”, continuou.

O ministro da Economia cobrou do Senado o avanço nas reformas administrativa e do Imposto de Renda que, segundo ele, compensariam o furo no teto de gastos. “O presidente da República sempre apoiou as reformas. Ele é um político popular, mas ele está deixando a economia ser reformista. Ele não é um populista”, avaliou.

Guedes voltou a dizer que defende o teto de gastos. “Todos sabem que eu defendo o teto, é uma bandeira de austeridade nossa”, completou.

Crise no governo

A equipe econômica enfrentou uma grave crise após pressões envolvendo o pagamento do Auxílio Brasil. O estopim foi o pedido de demissão coletivo de quatro secretários do alto escalação da equipe econômica após o governo decidir fixar o benefício em R$ 400, por ordem de Bolsonaro, e furar o teto de gastos. Se o valor inicial sugerido pelo próprio presidente, de R$ 300, fosse mantido, a expectativa era de que não seria preciso driblar a regra que impede aumento de despesas acima da inflação.

Ao longo da semana, entreveros entre a equipe econômica e a ala política movimentaram os bastidores do Palácio do Planalto e do Congresso.

O ministro da Economia sempre se disse contra despesas fora do teto de gastos públicos. Foi o argumento usado, por exemplo, para não prorrogar o auxílio emergencial de R$ 600 no fim de dezembro de 2020.

A manobra que deve viabilizar os R$ 400 mensais para beneficiários do novo programa social foi inserir, na PEC dos Precatórios, uma revisão do período de análise da inflação para determinar o limite de gastos no ano seguinte. Se a PEC for aprovada como está, evitará que o governo seja acusado de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

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