Bolsonaro cita local de mortes da ditadura ao falar de linguagem inclusiva

Presidente disse que quem usa tal tipo de linguagem deveria ir para a "ponta da praia", local de execução de presos políticos na ditadura

atualizado 12/11/2020 23:22

Reprodução

Ao lado da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) condenou as discussões sobre gênero no ambiente de ensino e defendeu que quem adota linguagem inclusiva deveria ira para a “ponta da praia”, utilizando uma expressão usada por militares que se referia à Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O local era conhecido pela execução de presos políticos durante a ditadura militar.

Em seguida, irritado, disse: “Vai para ponta da praia, não tem cabimento isso, que país é esse?”, disse, referindo-se à forma de linguagem inclusiva adotada, por exemplo, pelo Colégio Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro, que, para combater preconceito a pessoas não binárias, adotou a forma “querides alunes” em comunicado.

“Eu não sei se o português mudou – não dá tempo para acompanhar tudo –, mas o cara começa a palestra: ‘Bom dia a todos e a todas’. Isso não existe. É ‘bom dia a todos’. Começa com uma palhaçada dessa: a todos e a todas”, disse o presidente, durante live nas redes sociais.

Damares, por sua vez, concordou com Bolsonaro e classificou a linguagem como “palhaçada”. “Não é mudando palavra que a gente vai mudar o Brasil, presidente, é com ações efetivas. O que nós estamos fazendo no ministério: acolhendo travestis e incluindo eles no mercado de trabalho. Isso é política pública de inclusão. Imagina o senhor entrar em uma reunião de ministros e dizer: ‘Boa tarde, ministres’. Vai mudar o que no Brasil? Não muda nada. é uma palhaçada”.

Piada homofóbica

Bolsonaro voltou a se utilizar de expressões homofóbicas para fazer críticas a “um político de São Paulo”. Durante a live, ela disse que houve um candidato em São Paulo que “foi numa pastelaria para morder um pastel” na tentativa de se tornar popular, mas que isso não deu certo. “Se fosse um pirulito, morderia na boa”.

“Fiquei sabendo há um tempo atrás, é de São Paulo o cara, tá. Um colega disse para mim que ele quis dar uma de popular e foi numa pastelaria para morder um pastel. Mordeu uns 50 pasteis. Não deu certo. Não teve jeito. Agora, se fosse para morder um pirulito, ele morderia na boa ali sem problema nenhum. Ainda ia bater palma. Não vou falar o nome do cara. São Paulo deve ter uns 100 mil candidatos”, disse o presidente, sem citar nomes.

Bolsonaro ainda criticou professores e a orientação sexual de crianças. “Se ficar relaxando, agora, ficar no ‘ai, não sei se vou ser menino ou menina’. Pô, você vai ser um desgraçado no futuro, pô. Vai ser um desgraçado, não vai ser pipoca nenhuma no futuro”, disse.

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