Bolsonaro ataca imprensa e “maldita esquerda”: “Tomem vergonha”

Presidente disse que veículos de comunicação “trabalham contra a democracia”, elogiou militares e criticou governo da Venezuela

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 16/01/2020 19:42

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), mandou a imprensa “tomar vergonha na cara” e disse que os veículos de comunicação “trabalham contra a democracia, contra a liberdade e pelo que não presta” no país. O ataque ocorreu durante discurso do lançamento da “nova fase” da Operação Acolhida, em cerimônia nesta quinta-feira (16/01/2020).

“Essa imprensa que está aqui agora me olhando, comece a produzir a verdade, porque só a verdade pode nos libertar. Não tomarei medida para censurá-los, mas tomem vergonha na cara. Deixem nosso governo em paz”, disse Bolsonaro, aos gritos, enquanto discursava. Ele foi aplaudido e ovacionado após a fala no Salão Leste, do Palácio do Planalto.

“Nossa imprensa tem medo da verdade. Trabalham contra a democracia, contra a liberdade, trabalham pelo que não presta no Brasil. As Forças Armadas estiveram do lado do povo brasileiro”, completou. O chefe do Executivo também atacou a imprensa mais cedo e disse que o jornal Folha de S.Paulo era um “lixo”.

Isso porque o jornal publicou, na quarta-feira (15/01/2020), uma reportagem que mostra que o chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, receberia dinheiro por parte de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo por meio de repasses a uma empresa da qual é sócio: a FW Comunicação e Marketing.

Bolsonaro aproveitou o momento também para atacar a “maldita esquerda” e fez alusão ao ex-presidente da República, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do Executivo disse que a população não deve querer que “um homem só mude o destino do Brasil”.

“Se fosse o [Fernando] Haddad, vocês [refugiados venezuelanos] não estariam aqui. Ele estaria lá com o [Nicolás] Maduro. Não adianta ter raiva, culpar outros pelo nosso sucesso. Abra a mente daqueles que ainda estão do lado da esquerda, essa maldita esquerda que não deu certo em lugar nenhum do mundo.”

No fim, pediu desculpa pelo “desabafo”. “Brasil e Venezuela acima de tudo. Deus acima de todos”, finalizou.

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