Bela Gil vai à Câmara para pressionar contra votação do “PL do Veneno”

Apresentadora diz que proposta "vai colocar mais veneno na mesa". Deputados estão reunidos a fim de discutir o tema em comissão especial

atualizado 19/06/2018 15:21

Divulgação

Contrária à aprovação do projeto de lei que flexibiliza o uso de agrotóxicos no país, a apresentadora Bela Gil resolveu ir pessoalmente pressionar os deputados para rejeitarem a proposta. Ela está acompanhando a reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que pode votar nesta terça-feira (19/6) o parecer do relator, deputado Luiz Nishimori (PR-PR).

“Esse PL não acaba com a agricultura, nem impede que a população seja alimentada, como insistem os ruralistas! Sua reprovação é fundamental para proteger a nossa saúde, a saúde dos agricultores e da terra. #Chegadeagrotóxico”, escreveu a apresentadora em sua conta no Instagram. Para ela, a medida “colocaria mais veneno na nossa mesa”.

ATENÇÃO!!! O Pacote do Veneno vai ser votado aqui hj no plenário. Estou aqui para pressionar os deputados a não votarem a favor do PL 6299/2002 que colocaria mais veneno na nossa mesa! Esse PL não acaba com a agricultura, nem impede que a população seja alimentada, como insistem os ruralistas! Sua reprovação é fundamental para proteger a nossa saúde, a saúde dos agricultores e da terra. #ChegaDeAgrotoxico ☠️⚠️ Esses são os Deputados que querem colocar mais veneno na nossa comida. Lembrem deles antes de votar nas próximas eleições. @depterezacristina, @valdircolatto, @dep.raimundomatos, @luiznishimori, @adiltonsachetti, @arnaldofariadesa, @cesarhalum, @covattifilho, @helio.leite, @luiscarlosheinze, @deputadopeninha, @sergiosouzapr, @depzesilva, @aeltonfreitasmg, @evandroroman, @depmarcosmontes, @heitorschuch, @luizcarloshauly, @afonso_motta, @victoriogalli, @Dep.AugustoCarvalho, @carlosgaguim, @maldaner_celso, @jeronimogoergen, @prjosuebengtson, @henriquemandetta, @onyxlorenzoni, @altineu.cortes

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O projeto ficou conhecido entre críticos como “PL do Veneno” por flexibilizar as regras de uso desses materiais. Nas sugestões de alteração da lei, consta o pedido para trocar o termo “agrotóxico” por “defensivo fitossanitário” nos rótulos e documentos.

Em protesto, no início da sessão, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) criticou mudanças feitas de última hora no documento. “Segundo o regimento, o relator deveria ter cumprido um prazo de 24 horas após alteração do relatório para o início desta sessão”, apontou.

Como mostrou o Metrópoles, o texto do projeto também flexibiliza o uso de substâncias cancerígenas, passando a dividir os riscos como aceitáveis e inaceitáveis. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) perderiam controle sobre a liberação de substâncias, que ficará sob responsabilidade do Ministério da Agricultura.

Produtos banidos em outros países também poderiam voltar a ser usados no Brasil com a alteração da lei, aumentando riscos de distúrbios hormonais e de danos ao sistema reprodutivo. Órgãos ambientais demonstraram preocupação com esses fatores em pareceres divulgados recentemente.

Para o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), “irresponsáveis” são os parlamentares que votarão desfavoravelmente ao projeto. “Esse projeto vai simplificar o uso de agrotóxicos no Brasil. Irresponsáveis são vocês, que não falam contra a indústria farmacêutica no país”, criticou.

Protesto contra PL dos agrotóxicos
Um grupo de manifestantes esteve na entrada da Câmara dos Deputados na manhã desta terça (19) protestando contra o projeto. Para Cristina Roberto, empresária e dona de restaurante, a mudança no setor terá como consequência um produto cada vez mais contaminado para a população. “O produto orgânico é mais caro. Sem falar que o excesso de agrotóxicos no Brasil contamina o lençol freático. Dessa forma, a saúde da população está comprometida”, pontuou.

Manifestantes pró e contra o projeto acompanham a reunião da comissão que ocorre no Plenário 12 da Câmara. Se o texto for aprovado, ele seguirá para análise do plenário da Casa.

 

 

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