Após críticas à Lava Jato, Augusto Aras é alvo de pedido de impeachment

Peça apresentada pelo advogado Modesto Carvalhosa acusa o procurador-geral da prática de crime de responsabilidade

atualizado 04/08/2020 17:39

Hugo Barreto/Metrópoles

O procurador-geral da República, Augusto Aras, é alvo de um pedido de impeachment apresentado nesta terça-feira (3/8) no Senado Federal pelo advogado Modesto Carvalhosa.

A ação foi revelada pelo site O Antagonista e confirmada pelo Metrópoles. O procurador-geral é acusado da prática de crime de responsabilidade. Ele disse, recentemente, que a Lava Jato precisa de uma “correção de rumos” e teria se tornado uma investigação “personalista” com “caixas pretas”.

A peça cita episódio recente de Augusto Aras, que debateu com procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e criticou a atuação da Operação Lava Jato.

A declaração de Aras foi dada na última terça-feira (28/7), durante participação em um debate virtual, promovido por um grupo de advogados.

Para o PGR, é hora de “corrigir rumos” para que o “lavajatismo não perdure”.

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“Declarações que não apenas comprometem a sua reputação e a isenção para ocupar o cargo de chefe da Procuradoria-Geral da República, bem como, ao desferir acusações, à força-tarefa da Lava Jato — sem provas, como se verá adiante —, notadamente, aos membros do Ministério Público Federal”, apontou o advogado.

Ao Metrópoles, o advogado Modesto Carvalhosa disse que Aras quebrou o decoro da função pública que exerce. O magistrado afirmou que o chefe do MPF desmoralizou uma operação em que deveria ser o maior incentivador.

“A questão é que ele é um dos componentes desse jogo de destruição da força-tarefa, em que estão incluídos o presidente do Senado, o presidente da Câmara e o próprio presidente da República”, afirmou o jurista.

Carvalhosa disse também não espera que o processo de impeachment seja pautado no Senado Federal pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-RJ), assim como o senador não pautou o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Protocolar o pedido foi a obrigação da cidadania em agir. Se vai haver ou não prosseguimento, a história que vai dizer, mas nós cumprimos o nosso dever. Ou seja, o nosso dever foi cumprido, agora, se o Alcolumbre vai cumprir o dever dele, é outro assunto”, prosseguiu.

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